O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil

Enviada em 26/06/2020

Lançado em 2012, o documentário canadense “Maximum Tolerated Dose” retrata a realidade dos animais utlizados em testes laboratoriais, expondo diferentes pontos de vista e opiniões de profissionais da área. O longa-metragem denuncia o abuso sofrido por esses animais que, muitas vezes, são expostos a procedimentos que poderiam ser evitados ou amenizados, sofrem com maus tratos e são testados em escalas maiores do que o necessário e, ao mesmo tempo, enfatiza a importância dos testes em seres vivos para o avanço da ciência e até mesmo da medicina veterinária. Dessa maneira, é necessário que seja encontrado um equilíbrio em relação aos testes, de forma que o bem estar dos animais seja o menos prejudicado possível e avanço científico não seja afetado.

Em se tratando de abusos cometidos em testes com animais, as denúncias contra grandes empresas estão cada vez mais frequêntes com o surgimento de movimentos como o “cruelty free” e a crescente quantidade de ONGs voltadas para a defesa dos animais. Infelizmente, casos como o do Laboratório de Farmacologia e Toxicologia alemão, onde foram encontrados animais sendo mantidos em ambientes inapropriados, apresentando feridas não tratadas e altos níveis de estresse, ainda são a maioria atualmente. Segundo pesquisadores do Instituto de Ciência e Tecnologia em Biomodelos (ICBT), existe um protocolo à ser seguido pelos laboratórios que visa proporcionar o máximo de conforto possível aos animais, ainda que este seja constantemente desrespeitado.

Ainda assim, são inegáveis os avanços realizados por meio da utlização de animais em laboratório. De acordo com a diretora do ICBT, sem os animais a maioria das grandes conquistas da medicina, que salvaram milhares de vidas, não teriam ocorrido. Apesar de todos os estudos realizados, ainda não foi encontrado um método totalmente eficaz que substitua os testes em seres vivos e, mesmo as técnicas alternativas envolvem o uso de DNA animal. Logo, a sociedade ainda é dependente dos animais para o desenvolvimento de novas vacinas, medicamentos e até mesmo para tratamento cirúrgico que ajudam a preservar e melhorar a qualidade de vida de tantas pessoas.

A partir disso, é possível concluir que o fim do uso animal em testes ainda não é possível. Por isso, é de extrema importância que haja um enrijecimento regulamentar e fiscal em relação ao modo que os bichos são tratados em laboratório. É dever do Ministério da Ciência e Tecnologia garantir que a menor quantidade de indivíduos possível está sendo utilizada, que eles estão sendo mantidos em ambientes apropriados e que os estudos estão sendo realizados de modo consciente, com objetivo de proporcionar o mínino de desconforto possível às cobaias.