O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil

Enviada em 25/06/2020

Em 1959, William Russel e Rex Burch iniciaram o movimento de proteção aos animais usados em pesquisas. Ao contrário do que muitos acreditam, o interesse por métodos alternativos cresce dentro da própria comunidade científica, com o fito de minimizar o número de espécies utilizadas em experimentações. Entretanto, a questão é se as técnicas alternativas e simulações computacionais podem, de fato, remediar o emprego de seres vivos em estudos e prover resultados efetivos. Assim, destaca-se a relevância no uso de espécimes em testes científicos, visto que ainda não há como substituir o animal em todas as experiências, além de beneficiar a saúde humana.

A priori, ressalta-se a falta de métodos alternativos que eliminem totalmente o uso de animais em pesquisas. No tocante a isso, cabe salientar que, apesar do grande salto tecnológico na sociedade e de inúmeros avanços para a medicina e biologia, nem todas as alternativas possuem aplicabilidades efetivas ou comprovadas. Ademais, é importante destacar que a consideração de diferentes empregos não elimina o uso de animais, mas sim exige que sua aplicação seja pormenorizadamente sistematizada e estruturada para que o sofrimento das espécies se torne mínimo.

Outrossim, sublinha-se o benefício à saúde humana por meio do uso de animais em testes. Embora animais e humanos possam parecer díspares, em um nível fisiológico e anatômico tais seres possuem elevado grau de semelhança. Segundo pesquisas, o genoma dessas espécies contém, sobretudo, os mesmos genes encontrados no genoma humano. Sob essa perspectiva, é inegável que a semelhança significa que grande parte dos medicamentos usados para tratar os animais são os mesmos ou muito semelhantes ao desenvolvidos para os humanos. Assim, o estudo de como esses genes funcionam em animais, auxiliam na descoberta de novas funções e características envolvidas com problemas que afetam a saúde humana.

Portanto, medidas devem ser tomadas a fim de resolver o impasse do uso de animais em pesquisas científicas. Diante disso, urge que o Ministério da Saúde e do Meio Ambiente, em ação conjunta com universidades, criem um plano de elaboração para a redução do número de animais utilizados em propósitos científicos, mediante a associação de diferentes técnicas às alternativas já existentes, assim como o refinamento de procedimentos, a fim de que o desconforto seja reduzido. Além disso, é importante que tais agentes estruturem e apresentem dados que comprovem a segurança da procedência dos produtos, tendo em vista o custo-benefício para a saúde da população e, também, dos animais. Por conseguinte, convém enaltecer que a responsabilidade ambiental e ética da intervenção acima proposta é de grande importância para um melhor equilíbrio científico e ecológico.