O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil

Enviada em 08/06/2020

No livro “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, a personagem cachorra Baleia surge humanizada, como parte da família e provida de sonhos e sentimentos. Em contrapartida, nota-se na realidade contemporânea o oposto a esse, em que animais são usados de maneira violenta e cruel em pesquisas científicas. De certo, o egoísmo humano e a baixa fiscalização das leis que abrangem a questão são as bases de sustentação dessa problemática.

Em primeira análise, é evidente a característica individualista da era pós-moderna. Sem dúvida, o uso de animais em testes cosméticos e medicinais evidencia que apesar de a empatia ser uma herança genética presente em todos os seres vivos, os humanos passam atualmente por um retrocesso evolutivo. A partir disso, pode-se perceber a aplicação do conceito de Modernidade Líquida proposta por Bauman, ou seja, a fluidez presente nas relações é guiada pelo egoísmo social.

Além disso, embora já existam leis no Brasil que proíbem a utilização de animais no meio científico, a falta de fiscalização legal impede a superação desse impasse. Para o filósofo Platão, quando uma das partes da sociedade não cumpre seu papel, o organismo social como um todo está violentado. Nesse sentido, reverbera-se a ideia de que o rompimento das hierarquias e baixa atuação do Poder Executivo garantem a manutenção da violência conta seres indefesos.

Depreende-se, desse modo, a necessidade de abolir o uso de animais em pesquisas e testes científicos no país. Para que isso ocorra, o Poder Executivo, juntamente as Câmaras Municipais, deve garantir a aplicação da lei de proteção aos animais por meio da fiscalização rígida e periódica, a cada seis meses, oferecendo incentivos fiscais às empresas que a cumprirem. Ademais, podem-se promover campanhas publicitárias nos canais de comunicação expondo os danos físicos causados aos bichos, para ajudar a desenvolver empatia nos cidadãos. Assim, haverá diminuição do sofrimento e da perda animália, dignificando-os, tal como Baleia.