O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil

Enviada em 21/05/2020

Durante o Império Romano, o médico Cláudio Galeno se tornou o pioneiro em fazer testes em animais para embasar tratamentos a serem aplicados em pessoas. Fora desse contexto, no Brasil hodierno, ainda é comum os testes em animais, situação que coloca esses seres em situação de sofrimento e descaso. Isso ocorre devido à falta de políticas públicas efetivas que inviabilizem esses testes e à conjuntura mercantilista das indústrias de fármacos e cosméticos. Portanto, é oportuno uma reconfiguração dessa lógica que ameaça a integridade física dos animais

Precipuamente, a inação da esfera pública corrobora com a perpetuação dessa problemática. De acordo com o Centro Brasileiro para Validação de Métodos Alternativos, o país conta com 24 métodos alternativos validados que substituiriam os testes em animais. O problema, é que não são colocados em prática pelas empresas ou centros de pesquisa. Assim, casos como o ocorrido no Instituto Royal, ainda configuram essa triste realidade – animais foram encontrados em situação insalubre para possíveis experimentos. Dessa forma, é fulcral  aliar o desenvolvimento científico sem utilizar animais como cobaias.

Somando a isso, a postura mercantilista das empresas contribuem para perpetuação desse quadro deletério. Acerca disso, é pertinente trazer o pensamento do sociólogo Karl Marx, “a desvalorização do mundo humano aumenta em proporção direta com a valorização do mundo das coisas." Assim, a busca pela venda de produtos para garantir lucratividade permite que essas empresas desconsiderem os maus-tratos e sofrimentos a que esses seres são submetidos para que seus produtos cheguem aos consumidores. Dessa maneira, é substancial buscar mecanismos que inibam essas ações para diminuir os efeitos dessa problemática.

Diante do exposto, são evidentes desafios políticos e econômicos ligados a esse cenário nefasto. É importante que o Governo Federal, por intermédio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária-Anvisa, crie uma equipe federal de fiscalização com atuação em todos estados da federação. Esse grupo seria responsável por inibir os testes em animais e as empresas que descumprissem as leis vigentes teriam aumento da carga tributária, além de pesadas multas. Ao mesmo tempo, o Governo Federal , pode por meio das plataformas digitais e canais televisivos, desenvolver campanhas de consumo consciente sobre a importância das empresas não utilizarem testes em animais, enfatizando o sofrimento que esses seres passam. Tal ação viabilizaria um olhar mais crítico e uma postura mais consciente sobre a compra de produtos por organizações que não fazem testes em animais. Feito isso, poder-se-ia atenuar a médio ou longo prazo os efeitos dessa postura científica no Brasil .

Diante do exposto, fica evidente que a utilização de animais em pesquisas científicas no país é um problema e, por isso, deve ser desestimulada e coibida. Portanto, cabe ao Governo Federal, como órgão regulador da sociedade, realizar campanhas de conscientização da sociedade sobre a ineficácia de produtos testados em animais, por meio de redes virtuais e televisivas, a fim de diminuir o uso desses e enfraquecer empresas que realizam tais procedimentos. Ademais, o Poder Legislativo, como resposável pelas leis, deve proibir as pesquisas em animais e estabelecer multas para os laboratórios que não cumprirem essa norma, com a finalidade de proteger os animais e diminuir a crueldade. Feito isso, o equilíbrio buscado por Da Vinci poderá ser conquistado