O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil
Enviada em 10/05/2020
“O homem é a medida de todas as coisas”.Essa máxima atribuída ao filósofo grego Protágoras,revela o protagonismo humano em que o indivíduo tem o poder de construir sua realidade e seus valores em sociedade.Nesse sentido,referente ao uso de animais em testes científicos no Brasil,ocorre uma intrínseca identificação com a frase do pensador,pois a não utilização destes vitimiza todo o corpo social.Dessa forma,os prejuízos quanto a rejeição do emprego dos bichos nos testes científicos são inúmeros e evidentes,no entanto,o direito ao uso não pode ser confundido com o direito ao abuso.
Em primeira análise,convém frisar hodiernamente,o exímio avanço da ciência no Brasil,sendo os principais responsáveis por oferecer melhorias para a sociedade,por meio de dados e resultados confiáveis e relevantes.Sob essa ótica,o uso de animais em diversas pesquisas é de fundamental importância,haja vista que o avanço científico ocorrido com essa utilização vai desde o entendimento dos fenômenos patológicos até o desenvolvimento de novos fármacos,soros e vacinas Nesse sentido, ser antagônico ao aproveitamento dos bichos em estudos e análises,é negar anos de descobertas e avanços de conhecimento público gerado,as quais, segundo o célebre professor da USP, Marcus Guimarães, a restrição à pesquisas em animais pode ter sérios efeitos nocivos, podendo levar as populações economicamente vulneráveis á participarem desses experimentos,como “cobaias”, podendo até ferir seu direito de escolha.
Ademais,a forma desagradável em tratar os animais,com imagens e atos de crueldade por determinados laboratórios,expostos pela mídia, acabam por acentuar ainda mais a repulsa pela ideia da utilização dos bichos em pesquisas científicas, como ocorreu no laboratório da Alemanha,denunciado pela chefe executiva da ONG inglesa, Michelle Thew, na qual alguns macacos registravam manchas que pareciam ser do seu próprio sangue e fezes,violando a lei dos crimes ambientais. Nesse viés,grandes empresas tiveram seus produtos boicotados nas últimas décadas,majoritariamente as de cosméticos, haja vista que muitos consumidores não estão mais admitindo empresas que confundem o direito ao uso com o direito ao abuso desses animais, assemelhando com a teoria cartesiana do bom senso.
Portanto, faz-se necessária a realização de medidas atenuantes. Assim, cabe ao Governo Federal em parceria com o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (CONCEA),o papel primordial de reforçar os recursos e subsídios destinados á pesquisas científicas, por meio do impulso ao desenvolvimento de tecnologia alternativa, as quais sempre que possível, refinem as técnicas para minimizar o sofrimento desses animais, para que haja uma ampla mobilização do setor privado à causa, a fim de transmudar essa realidade.