O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil
Enviada em 09/04/2020
Na Roma Antiga, os homens considerados criminosos recebiam o título de animais perante a sociedade, uma vez que eram considerados inferiores aos demais. Sob esse viés histórico, o uso de animais em pesquisas e testes de laboratório demostra a sensação de soberania do homem sobre os demais, oriunda desse pressuposto romano. Diante disso, instaurou-se um atraso ético na sociedade brasileira.
Em primeira análise, pontua-se a sensação de superioridade do homem manifestada na ciência. Acerca disso, a animação “O Touro Ferdinando” narra a aflição do animal ao ser destinado a participar de touradas, um evento cultural espanhol no qual o toureiro provoca o touro que, em geral, é morto a golpes de espada. Fora da ficção, a objetificação do animal como material para testes provém, evidentemente, de um sentimento soberano histórico.
Além disso, consequentemente, ocorre um atraso ético edificado sobre pilares ultrapassados. Nesse contexto, segundo o pensamento análogo de Simone de Beauvoir, filósofa e escritora, situar-se às margens da sociedade não é a posição favorável para quem deseja recriá-la. Sobre esse prisma, torna-se clara a potencial relação entre a recorrência de um pensamento antigo e o retrocesso ideológico manifestado na inferiorização animal.
Logo, o uso de animais em testes e pesquisas representa uma involução ideológica, fundamentada na sensação de soberania do ser humano sobre outros seres. Dessarte, é dever das ONG’s de proteção animal exteriorizarem sua importância, desconstruindo a objetificação deles. Isso pode ser feito através de campanhas sociais, visando sensibilizar indústrias e pesquisadores. Em paralelo, urge que a questão seja abordada nas escolas, pelo corpo docente, já que é, também, um local de formação ética. Tal ação é viável por meio de palestras que desenvolvam o tema, convidando à reflexão, a fim de formar adultos mais justos. Somente assim, ter-se-á uma sociedade mais evoluída e menos hierárquica.