O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil

Enviada em 25/02/2020

Do ponto de vista evolutivo, a espécie que mais gera descendentes é, aparentemente bem sucedida. No entanto, tal perspectiva não tem relação com a qualidade de vida, pois muitas espécies que nos últimos milênios nos últimos milênios cresceram exponencialmente, vivem hoje em condições de tortura, sofrimento e desrespeito. Assim, considerando que grande parte desse cenário é provocado pelo ser humano, cabe por em evidência os pensamentos do filósofo da era moderna, Peter Singer, de que a manipulação da vida dos animais para atender aos critérios nutricionais e de saúde é um desrespeito, além de desnecessário.

Primeiramente, vale citar que o uso de animais no meio científico é uma questão amplamente debatida. Cientistas afirmam que a dependência desses para o avanço científico se relaciona à capacidade dos seres vivos de reagir à qualquer agente externo, concedendo-lhes, assim, resultados mais precisos. No entanto, Singer, baseado em sua moral universalista, afirma que nenhum experimento, em mesmas condições, que não fosse permitido aos seres humanos, deveria ser aplicado em algum animal.

Entretanto, as consequências desse cenário não recai apenas no campo da ética. Um artigo publicado no Blog da revista Veja traz essa questão ao debate, ao abordar a invasão, por ativistas defensores dos direitos dos animais, ao instituto Royal, em São Paulo, que faz pesquisas com cães da raça Beagle. Essa polêmica fez surgir, em âmbito nacional, um outro debate, que relaciona o caso à fins econômicos, banalização da tortura e objetificação dos animais. Dessa forma, ativistas afirmam que a comunidade científica visa apenas minimizar os gasto, sem buscar investir em métodos alternativos. Em contrapartida, cientistas alegam um alto custo no uso de animais, porém, a única alternativa momentaneamente.

Em suma, para que os pensamentos de Peter Singer possa se concretizar, o uso de animais em procedimentos científicos não deve ser mantido. Porém, essa mudança é gradativa e requer esforço. Para isso, o Governo, por meio do ministério da saúde, deve investir fortemente em pesquisas e equipamentos laboratoriais, além da qualidade na formação profissional, criando, pois, uma infraestrutura científica favorável ao desenvolvimento de técnicas alternativas. Além disso, a fiscalização e aplicação de multas devem atender rigorosamente à lei 11.794, que estabelece critérios à utilização de animais em meio científico e acadêmico. Dessa maneira, os animais terão seus direitos inalienáveis garantidos à medida em que a ciência avança.