O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil

Enviada em 19/09/2019

Cada vida importa

O envio da cadela Laika para o espaço, durante o período da “Corrida Espacial”, em 1957. A utilização do gado, no período colonial, para girar os moinhos canavieiros. Esses exemplos revelam que a utilização de animais em prol da humanidade existe há tempos. Entretanto, no cenário atual, essa prática ultrapassou os limites da ética, uma vez que muitas espécies são utilizadas em pesquisas científicas, o que proporciona sofrimento a até a morte dessas cobaias. Com isso, cabe averiguar com maior amplitude essa questão no Brasil.

Em análise primária, ressalta-se que as pesquisas de laboratórios envolvendo animais contribuiu muito para o avanço da ciência encontrada hoje. Edward Jenner, a título de exemplo, descobriu a vacina contra a varíola, no século XVIII, por meio da inserção do “conwpox”, o vírus que afetava somente as vacas, em um ser humano. Essa descoberta, às custas de animais, possibilitou a erradicação dessa patologia, a qual matou mais de 500 milhões de pessoas até o século XX. Desse modo, compreende-se que é possível a conciliação entre a utilização indolor de animais e o desenvolvimento científico.

Porém, a realidade do Brasil é outra. Mesmo com sites, como o “descoleco”, que evidenciam quais empresas não utilizam bichos na fabricação de produtos, os brasileiros ainda contribuem com essa prática imoral. As industrias estéticas, principalmente, utilizam ratos, coelhos e cachorros para testarem a qualidade de seus lançamentos e o os prejuízos que poderão causar aos humanos. Para ilustrar essa falsa ideia de superioridade perante aos animais, o Instituto Royal, fábrica de produtos de beleza, foi invadida por ativistas, em 2013, por estar utilizando cães da raça “beaggle” em seus experimentos e, em seguida, sacrificando-os. Perante esse exemplo, torna-se imprescindível uma revisão nos atos referentes à utilização de outras espécies para satisfazer as necessidades humanas.

Diante dos fatos supracitados, portanto, urge que medidas sejam providenciadas para a erradicação do imbróglio no país. Cabe ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, junto ao Ministério da Ciência, o monitoramento de empresas de cosmética, para que seja estabelecido um limite ao uso dos animais em testes, o qual não poderá causar danos físicos e mentais a eles, assim, as pesquisas não serão drasticamente afetadas. Ademais, o próprio consumidor tem o dever de utilizar produtos que não corroboraram com o sofrimento animal, por meio da compra, somente, de produtos veganos (expresso no rótulo), para que estimule um comércio a favor de todas as espécies. Somente assim, o Brasil poderá avançar na ciência e respeitar os direitos dos animais, que tanto contribuíram até hoje.