O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil
Enviada em 15/09/2019
Durante a história da humanidade, os avanços científicos sempre estiveram associados ao desenvolvimento da sociedade, como no surgimento de vacinas para a prevenção de diferentes doenças. Entretanto, em sua maioria, tais conquistas estiveram acompanhadas por experimentos com animais, o que, no presente, tem fomentado o questionamento sobre o uso de tais cobaias. Nesse sentido, torna-se primordial analisar as vertentes que englobam tal realidade, principalmente no que se refere ao viés capitalista, bem como a permanência de ideologias antropocêntricas.
É importante considerar, de início, a expressividade capitalista como campo fértil ao uso de animais como cobaias para fins infundados. Nesse sentido, o tecido social, frequentemente alicerçado na busca demasiada pelos avanços tecnológicos, acaba por catalisar um contexto que viabiliza a produção de anseios que, muitas vezes, não estão em consonância com a dignidade à vida, como no uso de animais para satisfazer interesses comerciais humanos. Isso pode ser observado na utilização indiscriminada desses em prol de produtos cosméticos e perfumes, panorama esse, que acomete princípios relativos à Constituição Federal de 1988, na qual é garantida a integridade dos animais.
Outrossim, é factível que a manutenção de ideologias antropocêntricas é igualmente fator para os obstáculos desse cenário. Nesse sentido, em consonância com o filósofo Peter Singer, a maioria dos indivíduos são especistas por natureza, logo, tendem a priorizar sua própria espécie em detrimento de outras. Sob esse prisma, tal concepção abordada pelo autor materializa-se na media em que se visualiza a escassez de uma cosmovisão científica em prol da ampliação de mecanismos holísticos que diminuam o uso de animais como cobaias, tendo em vista a permanência de ideais de superioridade humana a outras espécies. Com efeito, tal panorama fragiliza o desenvolvimento efetivo de formas alternativas, como o uso de culturas celulares e simuladores em harmonia com a dignidade animal.
É imperioso, portanto, mecanismos enérgicos no embate desse cenário. Assim, cabe a gestão federal, por intermédio do Poder Legislativo a efetivação da amplificação de leis que garantem o respeito pela integridade dos animais. Isso pode ser concretizado por meio da imposição de uma “taxa de pesquisa” a empresas que utilizam animais em testes, de modo que a verba arrecadada seja destinada a universidades federais no fomento de tecnologias alternativas para fins científicos, e teria como finalidade, a médio e longo prazo, prescindir o uso de animais. Dessa maneira, poder-se-á, gradativamente, transformar uma sociedade desenvolvida socialmente, distante de controvérsias que utilizam da desintegração de outras especies em prol de avanços da ciência.