O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil
Enviada em 12/09/2019
No âmbito da Guerra Fria, no século XX, durante a “corrida espacial” e a busca pela hegemonia tecnológica, a URSS foi responsável por enviar pela primeira vez na história um ser vivo ao espaço. Para além do contexto histórico específico, o uso de animais para prevenir e potencializar o bem-estar humano mostra-se constante, principalmente, no que se refere às pesquisas e os testes científicos no Brasil, uma das faces mais perversas de uma sociedade em desenvolvimento, o que se deve a fatores como exacerbação capitalista e visão reducionista.
Convém analisar, de início, que a extrapolação do viés capitalista torna-se campo fértil para o desrespeito com os animais. Isso porque, na contemporaneidade, a produção social de riqueza é sistematicamente seguida pela produção de riscos imprudentes, que se originam da crença incontestável no crescimento econômico e da busca cega e desmedida por avanços tecnológicos e científicos, muitas vezes, negligenciando o reino animal. Essa realidade pode ser observada na utilização indiscriminada de animais de pequeno porte em testes funcionais de cosméticos, sendo estes submetidos a todo tipo de substâncias químicas que prejudicam sua vitalidade.
De outra parte, é importante considerar que a manutenção de uma mentalidade retrógrada fere frontalmente a relação harmoniosa entre homens e animais. A esse respeito, de acordo com o sociólogo Peter Singer, a maioria dos indivíduos são especístas por natureza, logo, tendem a priorizar a sua própria espécie em detrimento das demais. Nesse sentido, o fenômeno abordado pelo pensador se materializa quando a ideologia de superioridade humana potencializa a transformação de animais em objetos ou meios para fins de bem-estar humano, a exemplo, testes laboratoriais de remédios simples, os quais já existem tecnologias suficientes para a substituição de cobaias por programas simulatórios e tecidos sintéticos consoantes ao humano.
Logo, é indubitável que lógicas econômicas e ideologias enraizadas vão de encontro à vida animal. Para que se reverta esse cenário problemático, portanto, fica a cargo do Governo Federal a efetivação de um programa de valorização animal. Isso pode ser realizado por meio da cobrança de uma “taxa de pesquisa” a empresas que utilizam animais em testes, de modo que a verba arrecadada seja destinada a universidades federais no fomento de tecnologias alternativas, a fim de que, a médio e longo prazo, seja possível prescindir do uso de animais. Dessa maneira, poder-se-á transformar uma sociedade desenvolvida socialmente, longe de contradições perversas que prejudicam outras formas de vida.