O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil
Enviada em 05/09/2019
Em 1997, a ovelha Dolly ganhou as manchetes internacionais por ser o primeiro clone produzido pelo homem. Desde então, é visto, cada vez mais, o desenvolvimento científico atrelado ao uso de animais, como o cultivo de ratos em laboratórios para análises de medicamentos. Contudo, quando se examina a manipulação de seres vivos em testes de pesquisa científica no Brasil, percebe-se, sobretudo, tanto aspectos positivos como negativos. Isso ocorre devido aos avanços medicinais, bem como a exploração de seres vivos.
A princípio, vale pontuar a importância do uso de animais em procedimentos científicos para o desenvolvimento da medicina. Acerca desse tópico, cabe mencionar que para Augusto Comte, fundador do positivismo, somente a ciência é capaz de levar a humanidade ao progresso. Nesse sentido, é essencial a presença de animais em experimentos de pesquisa, tendo em vista a administração de substâncias e observação de efeitos colaterais sem a utilização de seres humanos. Como exemplo, pode-se citar a produção de insulina pela inserção de genes bacterianos em animais bovinos com o intuito de amenizar alguns tipos de diabetes, como o tipo 1. Portanto, observa-se que a proibição dessa prática em sociedade pode significar uma estagnação dos avanços médicos.
Por outro lado, cabe frisar a exploração de animais em diversas pesquisas científicas. A esse respeito, em 1970, o neurocirurgião White realizou o primeiro transplante de cabeça em macacos, sem grandes sucessos, no qual ocasionou o sofrimento e a morte dos primatas. Entretanto, no contexto atual, ainda é possível traçar um paralelo com alguns procedimentos ´´científicos´´ que se utilizam da falta de fiscalização para torturar e sacrificar animais. Em 2013, por exemplo, o instituto de pesquisa Royal foi acusado de maus tratos a cães da raça Beagle, após constantes relatos de violência física pelos pesquisadores. Dessa forma, enquanto princípios éticos, como o respeito aos animais, não forem efetivamente aplicados, os bichos continuaram submetidos a testes de tortura.
Em suma, é essencial a busca de medidas capazes de conciliar desenvolvimento científico e proteção dos seres vivos. Para tanto, compete ao Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (CONCEA) promover a fiscalização de institutos e laboratórios de pesquisa. Isso poderá se concretizar mediante a criação de mutirões, com a presença de cientistas, em dias específicos, para as investigações dos locais de pesquisa, bem como investimentos em anúncios virtuais de incentivo à denúncias. Tudo isso com o intuito de maximizar os aspectos positivos do uso de animais em experimentos, concomitantemente,com a proteção dos bichos. Assim, espera-se que todas as espécies tenham o reconhecimento da comunidade científica, conforme a ovelha Dolly.