O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 07/09/2022

A obra “Os Miseráveis”, de Victor Hugo, retrata a injustiça social da França do século XIX. Fora da literatura, no Brasil do século XXI, percebe-se um contexto semelhante ao da trama: a injustiça impera no que tange na falta de conscientização dos produtores quanto o uso de agrotóxicos, sendo um problema intensificado pela omissão estatal e a permanência histórica.

Nessa perspectiva, é evidente como a negligência governamental é umas das razões pelas quais o problema persiste. Consoante ao discurso de Karl Marx, o governo é passivo frente aos problemas sociais. Desta forma, observa-se uma lacuna quanto á politização dos produtores nos trabalhos rurais, no qual são expostos diariamente aos riscos dos pesticidas em excesso e as más condições de trabalho. Além disso, a carência de fiscalização nos campos de produção contribui para o alta concentração de agroquímicos nos alimentos, acarretando assim, a saúde da população brasileira.

Ademais, pode-se considerar a permanência histórica como outro fator atuante na persistência deste imbróglio. Pois de acordo, com o pensamento de Claude Lévi Strauss, só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Sob essa ótica, tem-se como referência a Revolução industrial do século XVIII, que proporcionou inúmeros avanços no setor agrícola permitindo a modernização dos sistemas, o aumento na produção e na produtividade.

Torna-se evidente, portanto, que medidas devem ser tomadas para solucionar essa problemática. Desse modo, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) – o qual tem como função coordenar as políticas públicas de estimulo á agropecuária – deve criar projetos sociais, juntamente com o Ministério da Educação por meio de parceria com instituições profissionalizantes, para que, assim, todos os produtores tenham acesso à informação quanto o uso de produtos agroquímicos nos sistemas de produção. Destarte, espera-se que a equidade esteja presente nas propriedades rurais, distanciando-se da obra de Victor Hugo.