O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 05/07/2019

Ao longo da história, a agricultura desempenhou papel fundamental na vida do homem. A civilização egípcia, por exemplo, conseguiu desenvolver-se a partir do cultivo dos frutíferos campos ao redor do Nilo, que só eram possíveis graças às cheias deste, maior rio da região. Já no Brasil, o plantio da cana de açúcar no litoral impulsionou o sucesso do país no século XVI. Contudo, ao traçar um paralelo com a atualidade, a problemática do uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo afeta, de modo irresponsável, a saúde dos consumidores. Desse modo, em um país que consome e exporta altos níveis de frutas e legumes, é necessário o debate acerca dos desafios da questão da utilização de defensivos agrícolas. Nesse contexto, é lícito afirmar que no Brasil, a omissão governamental e a precificação abusiva dos alimentos orgânicos contribuem para um uso maior de agrotóxicos.

Em primeiro lugar, evidencia-se, por parte do Governo, a ausência de políticas públicas para um maior controle do uso de agrotóxicos. Essa lógica é comprovada pela falta de uma legislação específica que vise proteger o cidadão de possíveis abusos advindos do agronegócio, no que se refere a um uso excessivo de agrotóxicos. Com isso, ao passo que se aproveitam da inexistência de leis, empresas do setor colocam a vida das pessoas em risco e, lentamente, envenenam o consumidor. Nesse sentido, J. Goethe, estadista alemão, diz: ‘‘A maior necessidade de um Estado é de governantes corajosos’’. Nota-se, assim, na perspectiva do pensador germânico, a necessidade de um Estado mais rigoroso no que diz respeito à criação e execução de uma legislação que ampare os indivíduos.

Outrossim, é imperativo pontuar que os alimentos livres de agrotóxicos têm sua aquisição dificultada, no que concerne à política de preços altos praticada por comerciantes de tais produtos. Essa prática é derivada dos altos custos exigidos no cultivo de frutas e legumes orgânicos que, no Brasil, favorecem apenas o consumo de uma pequena fatia da população. Em decorrência disso - motivado por razões econômicas - o brasileiro médio é forçado a adquirir alimentos que recebem agroquímicos em qualidade e quantidade questionável. Logo, é substancial a mudança desse cenário, que deixa o consumo dos orgânicos restrito apenas a pessoas com condições financeiras favoráveis.

Infere-se, portanto, que o uso de agrotóxicos deve ser regulamento e o de orgânicos, incentivado. Posto isso, o Poder Legislativo deve, por meio de projeto de lei, dar trâmite à criação de lei que regule o nível de químicas nos alimentos segundo recomendações da Organização Mundial da Saúde. Tal projeto deve ser amplamente discutido entre Estado, especialistas, e sociedade civil, a fim de possibilitar o maior benefício possível. Ademais, o Ministério da Agricultura deve, mediante incentivos ficais e empréstimos a juros baixos, estimular produtores a reduzirem os preços dos orgânicos.