O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 01/07/2019

No livro ‘‘O Greening do Self’’ de Joanna Macy reflete a evolução da sociedade para um lugar denominado ‘‘Green Self’’, o qual simboliza a perda do pensamento individualista no indivíduo e o começo de uma coletividade que incorpora o meio ambiente na identidade social e na realidade vigente.  Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada por Macy apresenta lacunas quando comparada ao século XXI: gradativamente, os agrotóxicos assumem um papel errôneo de defensivo agrícola e o lucro acima do alimento e saúde.

Precipuamente, é importante destacar que, além de enfraquecer a defesa da vida e do meio ambiente, o agrotóxico é apresentado pela mídia como propulsor do desenvolvimento e mascara a estratégia de negar a realidade para submeter à racionalidade aos fins lucrativos. De acordo com Zygmunt Bauman, vive-se atualmente um período de liberdade ilusória, já que o mundo contemporâneo revela que palavras não são inocentes e a sociedade não está acompanhando decisões de premissas que necessitam ser consensuais antes de uma resolução. Assim, os indivíduos são inconscientes e assumem papel secundário de um futuro enquanto o Brasil é o país que mais consome agrotóxicos no mundo.

Por conseguinte, presencia-se um forte poder econômico que influencia e fomenta o uso de agrotóxicos na produção de alimentos como a expressão do avanço do modelo capitalista no campo. Em decorrência desse modelo químico-dependente de agrotóxicos, a cadeia produtiva do agronegócio se configura como um processo de insustentabilidade ambiental, pois no seu espaço cria-se um território com muitas e novas situações de vulnerabilidades ocupacionais, sanitárias, ambientais e sociais. Em outras palavras, essas vulnerabilidades induzem eventos nocivos que se materializam em trabalho degradante e escravo, acidentes de trabalho, intoxicações humanas, cânceres, más-formações e contaminação das águas com fertilizantes químicos.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para melhorar o quadro atual. Para a conscientização da população brasileira, urge que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias que detalhem o funcionamento e consequências do uso exacerbado de agrotóxicos e sugerindo, também, que o interlocutor crie hábitos de buscar informações de fontes variadas e manter em mente o filtro de dados a que ele é submetido. Destarte, o desenvolvimento será construído em bases sólidas e democráticas.