O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 01/07/2019

Assim como no livro As Vinhas da Ira, de John Steinbeck, que retrata na Califórnia como a implantação no campo de um processo mecânico, que visa apenas os lucros, pode degradar a vida da sociedade local, no Brasil ocorre movimento semelhante se tratando dos agrotóxicos. São crescentes os casos doenças e intoxicação, principalmente nas áreas agrícolas. E no entanto, não se observa o fim do uso dos defensivos agrícolas.

Desde a metade do século XX, o mundo vivencia um período de grande prosperidade alimentar, a partir do que ficou conhecida como “Revolução Verde”. Tal fato se deve ao uso dos produtos fitossanitários que elimina qualquer parasita nocivo à produção agrícola, que por sua vez causa problemas ao meio ambiente, envenenando o solo, nascentes e animais, que por fim acabam por contaminar a população; nos seres humanos causam câncer, disfunção neurológica, como ansiedade e depressão, e até má formação fetal. Os agricultores são os mais prejudicados porém todos que consomem estão sujeitos aos danos, inclusive os países que importam certas culturas do Brasil.

De acordo com a Fiocruz, o índice de câncer em local de grandes lavouras, como em Limoeiro do Norte - CE, é 38% maior que nas cidades aonde não se tem. Nesse viés, pode-se acusar a falta de orientação das empresas para com os trabalhadores, que aplicam o veneno nas lavouras sem proteção adequada, em quantidades exuberantes, usando muitas vezes pesticidas impróprios para o tipo de plantação. Desse modo, o tipo de legislação vigente propicia que tal quadro ocorra; de acordo com uma pesquisa da USP, em 2019, o governo já autorizou a utilização de 239 novos  pesticidas. Por conseguinte, é difícil fugir dos alimentos contaminados, uma vez que a outra opção são produtos transgênicos, que também acarretam problemas de saúde como câncer, e é baixa a acessibilidade aos produtos orgânicos, por seu alto preço de consumo.

Infere-se, portanto, que o uso de agrotóxico no Brasil e no mundo é uma questão de saúde pública. Com isso, o Ministério da Agricultura, juntamente com o Ministério da Saúde e o Poder Legislativo, deveriam criar um programa de fiscalização do uso de agrotóxicos no país, fazendo um cadastro de todos os produtores agrícolas com o tipo e o tamanho da plantação que será utilizado o defensivo, para que seja vendido apenas a quantidade suficiente a ser utilizada, e ainda visitar periodicamente os locais de cultivo, para que a segurança dos trabalhadores seja assegurada. Outrossim, é a criação  campanhas publicitárias pelo quarto poder, em parceria com as prefeituras municipais, para que a população saiba lidar com alimentos contaminados. E ainda,  iniciativas que busquem a substituição do sistema agrícola baseado em agroquímicos, diminuindo assim os impactos ambientais e sociais.