O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 03/07/2019

Agrotóxicos são substâncias químicas amplamente utilizadas na produção agrícola para combater pragas e doenças. A despeito desses benefícios, o uso excessivo aplicado pelo agronegócio brasileiro têm gerado impactos negativos para a saúde humana e para o meio ambiente. Dessa forma, uma análise sobre essa questão precisa ser feita visando à redução de biocidas a partir de medidas mais eficazes, porém sem prejuízos à produtividade.

Em primeiro lugar, é importante destacar que a proteção oferecida à agricultura pelos insumos químicos pode não ser compensatória quando comparada aos seus riscos inerentes. Nesse sentido, dados do Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostram que uma pessoa foi intoxicada a cada 65 minutos no período de 1999 a 2012, o que gerou quase 2.500 mortes. Para agravar esse cenário, soma-se o desencadeamento de enfermidades degenerativas e cancerosas pelo contato a longo prazo e a contaminação de solos e leitos d’água. Assim, diante de tanta nocividade, é imprescindível questionar e reavaliar a real necessidade do uso de defensivos agrícolas, os quais precisam estar sob constantes fiscalizações e análises laboratoriais. Do contrário, a vida terá seu valor atenuado em detrimento da lucratividade.

Paralelamente, o investimento em uma agricultura mais sustentável é viável, mas impedida por grupos de interesse. Por esse viés, uma pesquisa realizada pelo agrônomo Leandro Galon, da Universidade Federal da Fronteira do Sul, provou que quantidades abaixo do recomendado em bulas de herbicidas resultam nos mesmos efeitos, o que seria vantajoso economicamente para o produtor. No entanto, o governo brasileiro parece ignorar estudos e pesquisas ao aprovar o chamado Projeto de Lei do Veneno - restringe avaliações acerca de danos na natureza e na saúde -, além de liberar agrotóxicos classificados como altamente perigosos. Devido à forte pressão da bancada ruralista e outros setores ligados ao agronegócio, o país interpõe-se às campanhas internacionais em prol da sustentabilidade e desonra a própria legislação no que tange à garantia de bem-estar de seu povo.

Urgem, portanto, ações mais efetivas na construção de uma agricultura que agregue a segurança alimentar e minimize os estragos ambientais. Para isso, os cidadãos devem unir-se ao Terceiro Setor e pressionar o Congresso Nacional a não aprovar o PL do Veneno através das redes sociais de modo que os órgãos de controle tenham autonomia na decisão de registro de defensivos. Também é importante que o Ministério da Agricultura repasse verbas a institutos de pesquisa livres de interesses favoráveis à indústria de insumos agrícolas a fim de que modelos agroecológicos sejam desenvolvidos e substituam o atual. Enfim, menos biocidas significarão maior qualidade e expectativa de vida.