O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 02/06/2019

Ao comprar produtos agrários (os denominados hortifruti), a população brasileira acalenta-se com a segurança de que está consumindo o que há de mais saudável. O excesso de pesticidas que entram em contato com os alimentos, porém, contrapõem-se à esta noção. Os trabalhadores e consumidores são expostos, portanto, a níveis cada vez mais exorbitantes de toxicidade , o que reflete em sua saúde e qualidade de vida.

Os elevados índices de agrotóxicos que contaminam a agricultura apresentam intensas consequências à sociedade, com ênfase nas camadas mais baixas. A maior parte dos trabalhadores rurais, que são expostos constantemente às toxinas, é composta por pessoas mais simples, em termos econômicos. Estas não possuem salários adequados ou oportunidades de deixar as lavouras, o que perpetua o período de contaminação de seus organismos. Além disso, os produtos verdadeiramente orgânicos são inacessíveis aos precários salários dos agricultores, obrigando-os a consumir alimentos manipulados, que são mais baratos.

O Brasil retém um atraso socioeconômico observado desde o período imperial, em comparação às potências europeias. Enquanto estas investem com afinco em políticas de redução dos agrotóxicos, aquele aumenta o uso destes pesticidas repetidamente. Na busca desenfreada pelo lucro, o governo brasileiro não considera a aplicação de verba em produtos orgânicos de qualidade como atrativa. Por necessitar de maiores investimentos, a prática de uma agricultura realmente mais saudável não conferiria aos governantes os privilégios financeiros esperados, embora fosse beneficiar a comunidade geral.

A redução no preço dos alimentos frescos, juntamente com a manutenção de sua qualidade os tornariam mais acessíveis à todas as classes sociais, diminuindo os índices de intoxicação. A aquisição e distribuição de equipamentos de proteção aos trabalhadores agrários é indispensável, visto que reduziria a contaminação por contato direto com as plantações.