O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 02/08/2022
“Ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação”. Ne-sse trecho da música “Que país é esse?”, da banda Legião Urbana, há a denúncia acerca de diversos problemas sociais. Na realidade brasileira, isso pode ser observado na medida em que a negligência governamental e o individualismo são desafios que fazem persistir o trabalho escravo no Brasil contemporâneo.
Efetivamente, de acordo com a Constituição Cidadâ de 1988, direitos básicos são assegurados à população, por exemplo, dignidade e saúde. Entretanto, isso não ocorre de maneira eficaz a todas as parcelas populacionais, haja visto o fato de ainda existir trabalho escravo presente no Brasil. Essa constatação pode ser feita, vista a nítida omissão estatal perante o problema, pois não acontecem fiscalizações e rondas policiais constantes e efetivas em empresas, lavouras e canaviais. Desse modo, indivíduos sobrem maus-tratos, passam fome e o seu direito à dignidade é ferido.
Ademais, a fragmentação dos laços afetivos, em grande parte da sociedade é outro desafio que tem ajudado na permanência do trabalho escravo na sociedade brasileira. Nesse sentido, segundo o filósofo Zygmunt Bauman, em sua tese “Mo-dernidade Líquida”, a contemporaneidade é caracterizada pela volatilidade em re-lação aos direitos e deveres constitucionais, bem como é denunciado em “Que país é este?"-da banda Legião Urbana. Isso é pertinente, sobretudo, porque vários indi-víduos-preocupados, unicamente, em satisfazer desejos laborais e pessoais, igno-ram a existência do trabalho escravo. Tal situação impede a resolução desse imbróglio e prejudica indivíduos a exercerem um trabalho digno e de qualidade.
Portanto, cabe ao governo, órgão responsável pelo bem-estar-social, juntamen-te com as mídias por meio de verbas e campanhas publicitárias, direcionar mais fis-calizaçõess e rondas policiais nos espaços de trabalho, além de propagandas infor-mativas e educativas sobre a persistência do trabalho escravo no Brasil contempo-râneo. Isso será feito a fim de remediar não somente a negligência governamental, mas também a falta de empatia da população, contrapondo o elucidado por Bauman.