O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 21/09/2021
“Nunca perca a fé na humanidade, pois ela é como um oceano. Só porque existem algumas gotas de água suja nele, não quer dizer que ele esteja sujo por completo”, disse Mahatma Gandhi. Associando esse pensamento a um contexto de desigualdades, a exploração trabalhista funciona como gotas de sujeira poluidoras. Nesse prisma, fatores como a falta de informações e de prioridade impedem a limpeza do grande oceano chamado sociedade.
Em primeira análise, uma restrição de acesso ao conhecimento mostra-se como um dos desafios para a resolução do problema. Segundo Arthur Schopenhauer, os limites do campo de visão dos indivíduos determinam sua compreensão acerca do mundo. Nessa fala, o filósofo justifica a causa do problema: se os trabalhadores não possuem informações corretas sobre todos os seus direitos, como jornadas de 8 horas, salários em dia, planos de saúde, entre outros; o campo de visão será limitado, e a sociedade sofrerá com a exploração trabalhista em que mais cidadãos trabalharão e menos receberão o que devem pelo seu esforço. Por isso, se um correto incentivo que proporcione acesso informacional - dados, infográficos, exemplos - a essa parcela do coletivo, o país será o palco de relações laborais promovedoras do caos humanitário, assim como a escravidão marcou a cultura brasileira.
Em segunda análise, uma restrição de prioridade por parte do corpo governamental a respeito da exploração do trabalho no Brasil apresenta-se como outro fator dificultador do bem-estar. Conforme Thomas Hobbes, na teoria do contrato social, “o governo deve garantir o bem-estar civilizacional”, ou seja, deve promover a igualdade de direitos entre os cidadãos, o que não acontece na prática, visto que existem diversas interações trabalhistas frágeis, por exemplo, trabalhadores agrícolas prejudicados com condições análogas ao de escravos em que sofrem com tarefas desgastantes e não são pagos ou recebem castigos físicos. Nesse aspecto, esse escravismo moderno acontece devido à carência de prioridade do corpo político em fiscalizar mais a relações trabalhistas, principalmente, nos interiores brasileiros, não exercendo sua função estatal dita por Hobbes.
Portanto, medidas são necessárias para diminuir a exploração trabalhista no território. Por conseguinte, cabe ao Ministério do Trabalho realizar palestras, ministradas por psicólogos, em instituições de ensino parceiras. Esse projeto pode ser feito mediante um diálogo entre o público presente e os especialistas sobre a importância de conhecer os direitos que todos os trabalhadores possuem por constituição, com dados, infográficos e exemplos reais, de modo que incentive cada participante a ser um fiscalizador de possíveis irregularidades laborais existentes no coletivo citadino, resultando na plantação de sementes de ideias que germinarão em teorias de desenvolvimento.