O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 25/08/2021
O programa Fantástico, em 2020, entrevistou Madalena Gordiano, uma empregada doméstica que naquele ano comemorava o seu primeiro natal em liberdade, após passar quase toda sua vida trabalhando para uma casa de família em condições análogas à escravidão - sem salário, sem folgas e sem liberdade. Antes de mais nada, é necessário entender que o caso da Madalena, infelizmente, não é singular, pois o trabalho escravo no Brasil ainda sim é uma realidade. Isso decorre não só da alienação social ao tema, mas também das desigualdades sociais.
Nessa linha de raciocínio, é válido ressaltar a desinformação social como catalisador para o problema. Segundo a filósofa Hannah Arendt, o pior mal é aquele visto como corriqueiro e cotidiano. Sabendo disso, a busca dos contrantes mal-intencionados por pessoas, em sua maioria, analfabetas, estrangeiras, de baixa renda ou de outros estados, é cada vez maior. Dessa maneira, a falta de informação sobre o tema impulsiona a escravidão moderna no Brasil, pois os trabalhadores que estão imersos nesse mercado abusivo, às vezes, nem sequer tem noção da gravidade da situação, muito menos dos direitos que estão sendo ocultados. Assim, se submetem a trabalhos mal remunerados, com cargas exaustivas de produção, de vigilância ostensiva, sem segurança ou direitos trabalhistas.
Além disso, é importante destacar o papel destrutivo do abismo social no combate à escravidão no Brasil. Isso ocorre devido à dificuldade de pessoas com baixa escolaridade ou impacto social conquistarem um trabalho formal, assegurado de todos os direitos legais. De acordo com o relatório publicado pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento), em 2019, o Brasil ocupava a oitava posição dos países com maior desigualdade de renda e baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Sendo assim, devido às condições econômicas e falta de emprego, a parcela menos favorecida da sociedade, economicamente ou socialmente, se direciona à informalidade, que, sem a carteira assinada, estão mais suscetíveis aos abusos trabalhistas supracitados.
Portanto, é dever da mídia, em parceria com o Ministério do Trabalho, alertar o público dessa realidade preocupante, por meio de propagandas em horários nobres sobre os abusos mais comuns, os direitos trabalhistas legais e as maneiras mais eficientes de denunciar tais condições de trabalho, a fim de informar as pessoas da gravidade e frequência do tema e mitigar a problemática. Para que, feito isso, casos como o da Madalena Gordiano sejam menos frequentes e os trabalhadores mais valorizados.