O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 14/09/2021

No século XVI, a colonização brasileira foi estruturada por meio da exploração de matéria prima e mão de obra escrava, em especial a negra. Deste modo, o país possui resquícios de uma sociedade opressora e preconceituosa, o que colabora para a persistência de locais com trabalho escravo no território. Logo, analisar problemas, como a falta de fiscalização e de debates são necessários.

Em primeiro plano, vale destacar a ausência de fiscalização efetiva. Geralmente, os criminosos procuram lugares com déficit de emprego, segurança e educação, visto que a expectaiva de vida é baixa e há uma tendência de menor atuação do Estado de maneira regular. Dessa forma, fica mais fácil ao empregador aliciar e coagir pessoas que, em sua maioria, possuem menor senso crítico e que, por isso, não irão denunciá-los. Segundo dados do site “Escravo nem pensar!”, cerca de 40% dos trabalhadores resgatados em condição semelhante à escravidão possuem escolaridade até a quarta série, o que confirma essa falta de vigilância.

Outrossim, a negligência em relação aos debates nacionais sobre o assunto são nítidas. Apesar da Lei Abolucionista ter sido assinada em 1888, os negros não foram contemplados do modo a se sentirem pertencentes à nação, o que vinculado a concentração de renda possibilitou a sensação de abandono, seja material ou moral. Nesse sentido, tal sucessão de fatores de exclusão acarretou uma comunidade que não debate sobre o seu passado e sobre as formas atuais de se combater o trabalho escravo. A exemplo, têm-se o caso da mulher que se atirou do terceiro andar de um prédio, na Bahia, para fugir das agressões da patroa, que a matinha em regime escravo.

Portanto, erradicar essa característica histórica do Brasil é preciso. Sendo assim, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, em parceria com as Organizações Não Governamentais, deve elaborar um plano efetivo de denúncias e punições aos contratantes que sujeitam trabalhadores ao regime escravo, por intermédio de aplicativos para queixas, em que o denunciante pode enviar fotos e localizações, quando possível, a fim de contatar o policiamento mais próximo para punir os infratores e libertar efetivamente esses trabalhadores. Ademais, cabe as escolas discutirem o tema, por meio de aulas interdisciplinares de história e geografia, vídeos e dados recentes sobre o quadro atual no Brasil, gerando criticidade e discussão sobre o tema na sociedade.