O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 20/05/2021
Almeida Garret, um dos maiores representantes do Romantismo português, disse que a sociedade deixa o homem deformado. E, mais ainda, que ela, armada de “barras de ferro”, prende e contorce o indivíduo. O interessante é que o poeta em questão permanece vivo em suas reflexões, afinal, a sociedade atual, também armada das “barras de ferro”, depara-se com mazelas como o trabalho escravo contemporâneo no Brasil.
Em primeira análise, é válido ressaltar que o Brasil foi um país escravocrata por 300 anos e que teve a abolição sancionada em 1888. Ademais, segundo o jornal BBC, o Brasil possui cerca de 115 mil pessoas que vivem em situações análogas à escravidão. Assim, esses indivíduos são forçados, por meio de intimidação, violência e ameaças, a trabalharem acima de 12 horas por dia, sem alimentação, sem água potável, sem salário e instalados em alojamentos sem esgoto e encanamento. Diante dessa conjuntura, é possível observar as “barras de ferro” invisíveis, mas não menos dolorosas, que prendem e contorcem esses trabalhadores.
Em segunda análise, é importante destacar que a Constituição de 1988, no artigo 5º, veda qualquer forma de trabalho compulsório. Todavia, é notório a inobservância estatal no que tange aos trabalhos ilegais. Tal atitude pode ser justificada, visto que o Governo lucra com essa mão de obra e a consequente venda dos produtos produzidas por essas. Perante o exposto, é notório que, conforme Marx, em um mundo capitalizado, a busca pelo lucro ultrapassa os valores éticos e morais.
Dessarte, medidas são necessárias para mitigar essa problemática. Dessa forma, o Ministério do Trabalho e Emprego deve ampliar as investigações em relação ao trabalho escravo e apurar de forma sistemática as denúncias desse tipo de laboração, por meio de fiscalização rígida nos mais variados locais de trabalho. Além disso, cabe ao Governo Federal, através de propagandas nas mídias, incentivar as denúncias a fim de garantir que as “barras de ferro” da escravidão sejam, de fato, erradicadas.