O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 17/12/2020

Infelizmente, o trabalho escravo está eternizado nos alicerces da formação do Brasil, visto que o homem europeu ao chegar à Ilha de Vera Cruz cuidou logo de escraviza o nativo, em seguida importou o escravo africano e após a Lei Áurea foi a vez do imigrante europeu ser o escravizado. Entretanto, esta modalidade de exploração no Brasil ainda perdura, apesar de adaptada à modernidade das relações sociais. Logo, o trabalho escravo deve ser combatido com veemência no Brasil contemporâneo, de forma a focar seus esforços nos fatores causais: baixo nível de escolaridade de grande parte da população e nas grandes dimensões territoriais do país, fato que dificulta a fiscalização pelas autoridades.

É oportuno, a princípio, avaliar o perfil educacional das vítimas do trabalho escravo no Brasil. Neste viés, de acordo com dados coletados pelo extinto Ministério do Trabalho, cerca de 40% das vítimas são analfabetas ou possuem baixíssimo grau de instrução. Deste modo, conclui-se que pessoas com pouca escolaridade são mais susceptíveis a se tornarem escravas na atualidade. Com isso, tornasse hodierna a frase de Nelson Mandela: “a educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”. Por isso, o desenvolvimento educacional da população é uma solução viável e eficaz para combater essa problemática.

Além disso, a análise das características dos estabelecimentos que comportam tal mão de obra deve ser levada em consideração. Desta forma, corrobora para essa análise as informações trazidas pelo Ministério do Trabalho, as quais mostram que mais de 70% dos casos de trabalho análogo a escravo foram identificados no agronegócio, em estabelecimento localizados nos rincões mais distantes. desta forma, as dimensões continentais do Brasil favorecem a prática dessa exploração em áreas rurais muito distantes e dificultam a fiscalização. Consequentemente, medidas que “minimizem” as distâncias entre as áreas mais susceptíveis à prática do escravismo e o poder fiscalizador devem ser buscadas incansavelmente.

Portanto, o trabalho escravo no Brasil deve ser combatido de forma intensa e contínua. Assim sendo, o Governo Federal, por meio do Ministério da Educação (MEC), deve intensificar os investimentos na educação básica e na formação técnica, com o fito de diminuir o analfabetismo e empoderar a população. Para tanto, áreas mais propícias à prática de exploração de trabalho escravo devem ser prioritárias nas construções de escolas e alocação de verbas, bem como a população dessas regiões deve receber de forma gratuita o ensino técnico em áreas do conhecimento que possam ser aproveitadas no mercado local.