O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 13/12/2020
No filme “O Menino do Pijama Listrado”, é retratado o trabalho forçado dos judeus nos campos de concentração da Alemanha Nazista. A obra mostra que, mesmo depois do fim da escravidão, esse tipo de serviço desumano continuou presente na humanidade, porém de novas formas. Passado muito tempo do escravismo, as situações degradantes no ambiente laboral ainda estão presentes no corpo social, inclusive no do Brasil. No país, isso ocorre de forma velada, já que o tratamento ao funcionário não é exposto à sociedade. Assim, mesmo que proibido por lei, os patrões continuam cerceando a liberdade e acabando com a felicidade de seus empregados, com o uso de ameaças, imposições e humilhações. Tal problemática persiste por raízes históricas e ideológicas.
Em primeiro lugar, é importante destacar que se desvincular de um passado de vários séculos de opressão não é algo fácil, pois esse foi um fato muito influente na história do Brasil e ainda existem pessoas que são a favor desse tipo de emprego. Por isso, ele continua tão presente na nação. Nesse âmbito, segundo a Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, mais de mil brasileiros foram resgatados em 2019 em situações com essas características. Esses dados comprovam a dimensão do cenário e mostram que a legislação e o acompanhamento das autoridades não impedem sua ocorrência.
Além disso, outro fator a ser analisado é o imaginário popular de que existem pessoas superiores às outras. Nesse viés, segundo Thomas Hobbes, “o homem é o lobo do homem”, ou seja, ele é uma ameaça à própria espécie, ao querer se aproveitar de terceiros e considerar apenas o bem-estar pessoal. Dessa maneira, surge o individualismo e a ganância, principalmente entre os detentores de poder, e a submissão passa a ser algo constante na sociedade. Aliado a isso, está o medo das camadas mais baixas no contexto social de perder o emprego e não ter mais sustento, o que faz com que elas aceitem as condições em que vivem e não façam nada para mudá-las.
Observa-se, portanto, que as razões de ordem histórica e ideológica dificultam o combate ao trabalho escravo no Brasil contemporâneo. Destarte, medidas são necessárias para resolver esse impasse. É papel da mídia, como principal influenciadora de massas, incentivar a igualdade, por intermédio de propagandas e filmes, a fim de que a população nacional seja mais justa e empática. Para isso, essas representações midiáticas devem apresentar a união e o respeito como as únicas formas de superação do sombrio passado da nação no quesito laboral, além de incentivar os trabalhadores a lutarem pelos seus direitos e pelas suas liberdades e recorrerem à justiça, caso seja preciso. Com essas ações, será possível acabar com a atual escravidão velada no país.