O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 17/11/2020

Machado de Assis, um escritor realista que contribuiu muito para a história da literatura brasileira, em um de seus contos mais famosos, ‘‘Pai contra mãe’’, evidencia o quanto o processo de escravidão não possui empatia, uma vez que um pai, para salvar o seu filho, acabou assassinando o filho de uma escrava foragida sem apresentar nenhuma hesitação. Apesar de ser uma obra de ficção, as cicatrizes deixadas pela história colonial e os casos de trabalho escravo contemporâneo mostram que a obra não se distância muito da realidade. Sabendo disso, é importante destacar que as atuais ocorrências de trabalho escravo é consequência não só de um processo histórico que ainda tem impacto na atualidade, como também de uma busca patológica por dinheiro.

Primeiramente, é válido ressaltar que o passado de um país sempre terá influência sobre o mesmo, seja ele positivo, seja ele negativo. Nesse sentido, o Brasil foi marcado por um longo período de escravidão, que durou até o fim do século XIX, por conta disso a submissão ainda faz sentido na cabeça de muitas pessoas, o resultado disso é que, segundo a Organização das Nações Unidas, o Brasil apresente quase trezentos e setenta mil escravos conemporâneos. Com isso, fica claro que, apesar de sua incontestável importância para a riqueza da cultura brasileira, a parte desumana da escravidão, infelizmente, tem impactado o presente.

Paralelamente, pode-se dizer que o capitalismo incentiva o homem a conquistar mais capital constantemente. Nesse contexto, a vida do ser humano, segundo Schopenhauer, se baseia em satisfazer as suas vontades repetidamente, no entanto com o cenário capitalista a maioria das vontades são alcançadas com o dinheiro, graças a isso os indivíduos são obrigados a busca-lo de qualquer maneira e, assim, para aumentar os lucros, muitas empresas tem utilizado escravos contemporâneos, que não necessariamente são idênticos aos escravos do mundo moderno, mas são abusados de maneira análoga. Sendo assim, é nítido que o dinheiro tem sido muito mais importante do que a vida.

Em virtude dos fatos mencionados, fica óbvio que o trabalho escravo no Brasil contemporâneo é fruto de um longo período baseado socialmente e economicamente na mão de obra escrava, além disso a perversividade do capitalismo também tem contribuído. Dessa forma, é necessário que o Ministério da Educação (MEC), através de uma aula anual -montada por doutores especializados em historiografia do Brasil e disponibilizada no site do MEC- que será repassada por professores de história e sociologia de todas as escolas, conscientize os alunos sobre a importância de respeitar e valorizar a história do Brasil, porém de aprender com ela para que os erros dos passado não se repitam. Desse modo, a escravidão será só um registro dos livros de história e das obras de Machado Assis.