O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 04/11/2020

Em 1850, emergiu o resquício da evolução moral do Brasil: por lei, foi proibida a entrada de africanos escravos no país. Hoje, as divergências socioeconômicas, fazem com que muitos trabalhadores vivam, injustamente, em condições análogas as dos escravizados e sofram, consequentemente, danos físicos incalculáveis.

Primeiramente, há incidência de escravizados em regiões com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), como Nordeste e Norte, segundo IBGE. Dado isso, as “ofertas de emprego” prometem vencimentos acima da média para um trabalhador desqualificado, o que as torna atrativas. Por conseguinte, a má instrução faz o trabalhador investigar inadequadamente a oferta, ao passo que a dificuldade econômica o impele à primeira promessa de resolução de seus problemas, com efeito, surgem desde dívidas impagáveis ao confisco de documentos, corte de meios de comunicação e transporte, uma verdadeira escravização contemporânea.

Ademais, a escravização, essa aberração colossal, como descreve Cruz e Souza, em seu livro “Negro”, gera danos ao indivíduo.  Nessa seara, há o prejuízo físico, devido à exposição do trabalhador a largas jornadas de trabalho e em quaisquer condições climáticas, o que corrobora com o surgimento de doenças de pele, e inflamações nos membros (tendinite, artrite, etc.). Ademais, devido à variabilidade genética, as morbidades adquiridas são, posteriormente, repassadas aos descendentes desses indivíduos, os quais as alastrarão ainda, às próximas gerações.

Destarte, é necessário haver melhora da educação nas regiões citadas, que trarão, devido à qualificação, boa remuneração e melhora significativa no IDH para então, anular os índices de escravização contemporânea. Para isso, cumpre às escolas, implementar aulas em reforço para alunos com desempenho inferior aos demais, por meio do próprio professor da matéria, a fim de proporcionar ao jovem de hoje boa educação, que irá gerar paridade socioeconômica e, a reboque, senso e discernimento ao adulto de amanhã, para então repelir escravatura “vestida” de trabalho.