O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 06/01/2021
“Se puderes olhar, vê. Se puderes ver, repara”. A máxima do escritor José Saramago norteia o atual cenário brasileiro, uma vez que o trabalho escravo faz-se presente e acarreta em inúmeras problemáticas para a sociedade. Sendo assim, o trabalho infantil tornou-se um fator determinante na influência para a entrada do jovem no trabalho escravo, além disso a ilusão de uma vida melhor também faz-se presente.
Visto isso, o emprego infantil influencia de forma direta na inserção do jovem no trabalho escravo. Tendo em vista que a criança usufrui de poucos anos da vida escolar e acaba não adquirindo os conhecimentos necessários para exercer os direitos, demonstra assim, que com o passar do tempo, o jovem cresce e se depara com inúmeras oportunidades de emprego, mas sem saber o quanto deve ganhar no mínimo, quantas horas deve trabalhar e até mesmo em que condições sanitárias. Prova disso, Kailash Satyarthi (Nobel da paz) mostrou que existem 168 milhões de crianças no trabalho infantil, e que 120 milhões saíram da escola antes de escrever e ler coisas básicas, ilustrando assim, uma sociedade ainda vítima da escravidão moderna.
Ademais, a procura por uma vida melhor termina sendo uma grande armadilha para as pessoas que acabam no trabalho escravo. Visto que, principalmente no setor agrícola que é o principal vilão da escravidão moderna, segundo o Grupo Especial de Fiscalização Móvel, as lavouras de cana de açucar são as principais responsáveis pelos altos índices de denúncia, uma vez que são nelas que constam os “sistemas de barracão”, em que o trabalhador vira escravo por dívida e não consegue voltar para casa. Exemplificando, desse modo, que a busca por um trabalho melhor torna-se uma grande enrrascada.
Fazem-se necessárias, portanto, medidas capazes de diminuir os índices de trabalho escravo no Brasil. Sendo assim, o Ministério da Justiça em consonância ao Ministério da Cidadania deve disponibilizar, por meio do LOA - Lei Orçamentária Anual-, verbas para as Secretarias de trabalho das cidades, visando em uma fiscalização mais assídua de estabelecimentos e propriedades agrícolas, assim como, na propagação de palestras gratúitas nos centros das comunidades ensinando a popupalação sobre os direitos trabalhistas.