O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 20/09/2020
Desde os primórdios, de forma individual ou coletiva, o ser humano precisou executar tarefas para sobreviver, e quanto mais o homem tomava consciência de sí, e aprimorava seu modo de vida, o desenvolvimento dessas tarefas tornava-se cada vez mais complexo. Em outras palavras, o trabalho está associado a existência da humanidade, sendo realizado de diferentes formas ao longo do tempo, considerando diversos contextos. Na atualidade, o trabalho geralmente é associado a subsistência do mercado mundial, tecnológico, dentro ambiente fabril. Contudo, também existe outro tipo de trabalho, pouco mencionado, “invisível”, marcado pela desvalorização, falta de humanização e sofrimento: o trabalho escravo. Soa “natural” falar sobre escravidão no Brasil no início da colonização, entretanto falar sobre escravidão no Brasil no século XXI é como mencionar uma realidade inexistente, fruto de duas questões principais: (1) a pobreza extrema em algumas regiões do Brasil e (2) a ineficiência de fiscalização.
Primordialmente, o trabalho escravo é um ciclo alimentado pela falta de oportunidade, pela necessidade de precisar se submeter aquelas condições. Em alguns interiores do Brasil, não trata-se de escolha, é o único modo de sobreviver. No documentário: “O trabalho escravo no século XXI”, exibido por uma emissora de televisão, o trabalho escravo foi tema de uma reportagem que apresentou aos telespectadores o lado sombrio da indústria por trás do chocolate. A produção e colheita do cacau em Medicilândia, interior do Pará, custa para muitas famílias a execução de um trabalho sem garantias de direitos, com pagamentos sujeitos a quantia que o meeiro definir como justo para aquele dia de trabalho, sob ameaças e que envolve crianças e adolescentes, submetendo-as ao gosto amargo de nunca conseguirem livrar-se de um ciclo de exploração que passa de geração em geração.
Por consequência disso, pode-se dizer que que muito do requinte da cozinha Brasileira, do doce sabor que chega as grandes metrópoles, é produto de uma concreta, porém “oculta” realidade. Associadamente a isso, o poema de Ferreira Gullar: “O açúcar”, também denuncia por meio da literatura situações análogas ao trabalho escravo na produção açucareira.
Portanto, é necessário que o ministério da economia tome providências para sanar o quadro atual, afim de que esses indivíduos tenham a garantia de seus direitos constitucionais estabelecida. Urge que o ministério da economia, dentro da secretaria especial do trabalho, faça não apenas fiscalizações mais severas, mas que por meio do estimulo a ações efetivas junto a Estados, Municípios, órgãos como o conselho tutelar, a polícia, combata esse crime tornando mais rigorosas as penas e punições. Somente assim, ao abordar essa temática, se estará falando sobre algo real e efetivamente combatido no Brasil.