O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 20/09/2020
Vigiar e punir
A escravidão é vista, nos dias atuais, como um assunto preso a um passado distante. Infelizmente, essa não é a realidade em muitos países do mundo, nem mesmo no Brasil. E não é por falta de leis que esse deplorável quadro ainda se faz presente na sociedade, visto que, desde 1888, a Lei Áurea declarava liberdade aos escravos. Além disso, no Brasil, existem não só leis que proíbem a escravidão, como também, punições muito claras aos que cometerem tal crime. E mesmo assim, a prática criminosa continua.
Pode-se afirmar que a escravidão nos dias de hoje é mascarada. O trabalho escravo da atualidade pode estar relacionado tanto ao controle do corpo do trabalhador, quanto ao controle de seu tempo. Marx dizia algo bem parecido em seu conceito de mais-valia – que, de certa forma, é um tipo de escravidão. Por isso, em diversas fábricas havia o controle exato da movimentação de cada operário, além de longas jornadas de trabalho, a fim de aumentar a produtividade destas, como no sistema Fordista, presente no contexto da Revolução Industrial.
Apesar de existirem leis claras acerca das punições àqueles que praticam o crime da escravização, ela está mais presente na sociedade do que se pode imaginar. O problema é que, leis não são eficazes quando não há fiscalização. Como dizia o sociólogo Michael Foucault em seu livro Vigiar e Punir, é preciso fazer com que os criminosos saibam que existe alguém vigiando todas as suas ações. E a prática de vigiar revela, assim, grande eficácia na questão da disciplina. Ao ter consciência de que existe um sistema vigiando um cidadão, é de se esperar que ele não cometa um crime.
Dessa forma, percebe-se uma necessidade de um sistema de fiscalização mais representativo e presente no Brasil através da instalação de mais câmeras de segurança, ronda policial frequente, visita policial em empresas e domicílios regularmente. Pois, enquanto existirem leis, contudo faltar aqueles que a apliquem, essa prática, ou melhor, crime, continuará sendo cometido. Além disso, haja vista que a escravização se dá de forma bem diferente às práticas do passado, faz-se necessário a educação da população acerca desse assunto, através de propagandas televisivas, folhetos e a abordagem do tema em escolas, visto que crianças são grande parte das vítimas.