O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 20/09/2020

Com a abolição da escravatura e com a instauração das primeiras legislações trabalhistas durante a Era Vargas, houve uma crescente preocupação com as condições de trabalho e de vida dos trabalhadores brasileiros. Nesse contexto, muito se debate acerca do trabalho escravo no Brasil contemporâneo. Acerca disso, é interessante reiterar a origem desse descaso com as condições de trabalho e a causa atual de sua manutenção no País.

Primariamente, o Brasil possui um vasto histórico escravocrata e colonial que não só marginalizou o escravo, mas também o menos favorecido. Essa marginalização que desvalorizava quem não era elite europeia é presente na sociedade colonial e, consequentemente, existe como valor cultural na sociedade atual. Assim, é interessante reiterar o caráter colonial periférico que o Brasil possuia historicamente, dado que a primeira fundação de faculdade de cirurgia foi em 1808, junto a vinda da família real portuguesa, após 300 anos de colonização. Logo, apreende-se que a marginalização histórica do brasileiro existiu e que reverbera no contexto atual, no qual existe um País que faz vista grossa para as condições precárias de trabalho, algumas vezes análoga a escravidão, isto é,inclinado ao lucro apenas, já que a cultura instalada é que a Nação sirva para exploração apenas.

Secundariamente, abordando uma perspectiva mais dos valores sociais que reiteram condições de trabalho precárias, existe a propagação de valores capitalistas que primam o consumo e a exploração. Dessa forma, o trabalho escravo é persistente no País, pois há uma visão puramente capitalista e pouco humanizada do trabalho. Por conseguinte, é interessante reafirmar a noção marxista de alienação e de germe, isto é, que o trabalhador é marginalizado e alienado de sua produção, isso gera desordem social, o germe, que será o fim da sociedade. Logo, observa-se que o Brasil, como País captalista, por propagar esses valores capitalistas somados aos prejuídos históricos supracitados não valorizará o trabalhador,assim ignorando seu direito a uma vida de trabalho digna.

Destarte, é fundamental mitigar o trabalho escravo nacional. Para isso, é necessário que as Escolas -instituição responsável pela instauração da educação acadêmica básica nacional- eduque as crianças, por intermédio de aulas de sociologia e de filosofia que reiterem a necessidade da construção de uma sociedade que valorize não só o trabalho, mas também o trabalhador. Com essa medida, serão estimulados nas novas gerações valores ligados à valorização do bem estar de todos os trabalhadores, independente de sua função ou de sua classe social.