O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 20/09/2020
No drama brasileiro “Eles não usam Black tie " de Gianfrancesco Guarnieri, é encenado os esforços de trabalhadores fabris por melhores condições de trabalho a partir da realização de greves. Passados mais de 60 anos desde a escrita da peça teatral, trabalhadores brasileiros continuam sendo alvos de exploração e suas condições de trabalho reduzidas àquelas anteriores a 1888. Dessa forma, empregadores visando a obtenção de lucro, desapropriam os empregados de seus direitos, submetendo-os a jornadas exaustivas e degradantes, semelhantes à escravidão e não diferindo do contexto trabalhista pós 1º Revolução Industrial. Sobre esse viés, a busca incessante por maiores riquezas e o ato de vigiar são as principais causas da desumanização do homem em suas relações de produção.
Em primeiro lugar, é necessário considerar as condições de trabalho que surgiram com o decréscimo da mão de obra artesã no desenvolvimento da indústria na Europa. Nessa perspectiva, é relevante menciona o conceito de mais valia teorizado pelo sociólogo Karl Marx. Esse juízo reside em teorizar as maneiras de exploração e alienação do trabalhador a partir da menor remuneração relativa à atividade realizada por esse, possibilitando a concentração de riquezas nas mãos de proprietários dos meios de produção e, por conseguinte, a perpetuação do controle destes sobre o corpo, ritmo e direitos da classe proletária.
Em segundo lugar, é necessária a analise do exercício de vigilância no papel de propiciar o controle dos assalariados, possibilitando a ocorrência de trabalhos análogos à escravidão no Brasil contemporâneo. Desse modo, é de suma importância a contribuição do filosofo Michel Foucault em sua obra “Vigiar e Punir”, de 1996”. No texto de Foucault há a conceituação de uma vigilância hierárquica, que articula o domínio sobre o corpo de outro, sem o uso de violência corporal explicita, de forma a dar a possibilidade de exercer poder sobre o objeto em análise. Ademais, com o avanço de novas tecnologias de informação e comunicação, a sondagem sobre os empregados é facilitada, de forma a contribuir para o controle de suas atividades e rendimentos por meio de ameaças, imposições e proibições, de forma a desapropria liberdades e direitos.
Evidencia-se, portanto a necessidade de mudanças. Nesse sentido é imprescindível que o Estado tenha maior presença na fiscalização das condições de trabalho e apoie empresas que assegurem direitos e boas condições de trabalho aos seus empregados. Outrossim, é de suma importância que as mídias divulguem com maior frequência campanhas de denúncia. Somente assim, o país poderá sair da estagnação das condições trabalhistas evidenciadas desde a peça de Gianfrancesco Guarnieri.