O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 20/09/2020
O Brasil possui, desde o início da colonização, a escravidão enraizada em sua história. A chegada dos portugueses ao território marcou o início da exploração da mão-de-obra escrava para a obtenção de recursos, com o fito de alimentar o mercado europeu durante o período do capitalismo mercantilista. Mesmo após a abolição da escravatura com a Lei Áurea, em 1888, o Brasil contemporâneo apresenta condições análogas ao escravismo existente desde a colonização. Essa problemática situação é caracterizada pelo trabalho forçado e pelas condições precárias, podendo ser motivado por preconceito racial e étnico e até mesmo por dívidas, uma vez que muitos indivíduos se submetem a essa hedionda condição devido a instabilidade financeira existente na atualidade brasileira.
É válido destacar, primeiramente, que as péssimas condições de trabalho no Brasil vem sendo um tema recorrente desde o início da República. É possível citar, por exemplo, a Greve Geral de 1917, um movimento realizado por operários que atingiu todo o território brasileiro, cujo objetivo estava ligado à melhores salários e à melhores condições de trabalho. Seguindo essa lógica, observa-se a importância da participação dos movimentos sociais e dos sindicatos na fiscalização e na denúncia de situações laborais degradantes ainda presentes na contemporaneidade brasileira.
Entretanto, é justo reconhecer as conquistas obtidas em relação aos direitos trabalhistas no Brasil, principalmente durante a Era Vargas. Com a elaboração das leis laborais durante o governo de Getúlio Vargas, os trabalhadores passaram a ter direito ao salário mínimo, à jornada de trabalho limitada em 8 horas diárias - com direito à um dia de descanso semanal. Apesar de todas essas conquistas, o Brasil contemporâneo apresenta um alto crescimento de trabalho informal devido à instabilidade de renda e de empregos, o que dificulta o monitoramento das condições laborais impostas ao trabalhador. Com isso, essas crises levam certos indivíduos a se submeterem à péssimas condições de trabalho, o que acaba por inflacionar os índices de trabalho análogo ao escravismo no Brasil atual.
Diante dos fatos supracitados, faz-se necessário que medidas sejam tomadas para combater o trabalho escravo no Brasil. Posto isso, cabe aos trabalhadores, juntamente de sindicatos, reivindicarem por melhores condições de trabalho por meio de manifestações, a fim de assegurarem seus direitos garantidos nas leis trabalhistas contemporâneas. Além disso, é de suma importância que o Ministério do Trabalho e seus auditores corroborem na investigação de denúncias de trabalhos precários e forçados, por meio de fiscalizações recorrentes nos setores econômicos brasileiros, com o fito de mitigar os índices de trabalho compulsório existentes ainda hoje no Brasil. Com isso, é possível minimizar os casos de escravismo enraizados no Brasil desde a colonização portuguesa no século XV.