O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 18/09/2020

A novela “O Outro Lado do Paraíso”, exibida pela Rede Globo, abordou a questão do trabalho escravo, quando a vilã Sophia, além de usar os trabalhadores, fez com que eles tivessem dívidas de moradia e alimentação, na tentativa de torná-los eternos devedores. Fora da ficção, a realidade no Brasil contemporâneo é a mesma, o trabalho escravo pode ser visto como lucrativo por pessoas antiéticas, e é colocado em prática para que haja menos gastos. Isso ocorre devido ao sistema capitalista presente na sociedade, aliado ao alto nível de desemprego no país, o qual os levam a aceitar qualquer meio de sustentação.

Constata-se a princípio que, com a padronização da força e do produto do trabalho, o proletário se torna insignificante aos olhos do capitalista, que somente visa o lucro, independente das condições que ofereça aos trabalhadores. Nesse viés, é possível fazer uma analogia à mais-valia de Karl Marx, em que o capitalista não somente lucra pelo produto do trabalho do operário, mas também pela própria força produtiva dele. Sendo assim, fica clara a ganância por lucros dos empresários que fazem de tudo, desde reduzir o quadro de funcionários à decrescer seus salários.

Por conseguinte, o desemprego vigora no Brasil e é um dos principais motivos pelo qual os indivíduos se sujeitam ao trabalho escravo. Dessarte, o Brasil tem 155,3 mil pessoas em situação análoga à escravidão, segundo o relatório Índice de Escravidão Global, de 2014, da Fundação Walk Free. Logo, é perceptível que o desemprego corrobora a problemática, haja vista que, em virtude disso, os proletários se vêem reféns e obrigados a aceitar tais condições deploráveis de trabalho.

Portanto, é imprescindível que medidas sejam tomadas para findar essa escravidão contemporânea. Urge, então, que a Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), em parceria com a Polícia Federal, reforce o sistema de fiscalização, por meio da implementação de mais fiscais e seguranças nos Estados. Tais fiscais irão visitar, frequentemente, empresas das zonas urbanas e rurais de cada cidade, para checar se estão sendo cumpridas as leis trabalhistas. Todavia, em caso de descumprimento, os responsáveis deverão responder devidamente ao Código Penal. Ademais, a Organização Internacional do Trabalho (OIT), deve, mediante investimentos estatais, oferecer empregos e remuneração aos trabalhadores libertos de tal escravidão, para que assim, eles estejam aptos a ter uma vida digna. Só assim será possível garantir que a classe trabalhadora veja o bom lado do paraíso.