O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 18/09/2020
“A essência dos Direitos Humanos é o direito a ter direito”. Essa frase da escritora Hannah Arendt aponta a importância de os direitos serem mantidos no social. Entretanto, no que concerne à questão do trabalho escravo no Brasil hodierno, percebe-se que o pensamento da autora não se concretiza para todos, uma vez que a escravidão ainda persiste. Sendo assim, é crucial debater que a problemática espelha não só a priorização de interesses financeiros, como também violação da Carta Magna do país.
Convém ressaltar, a princípio, que há uma desvalorização do ser humano em detrimento do capital. Sob essa perspectiva, o sociólogo Karl Marx afirmou que a economia capitalista gera a reificação do trabalhador, isto é, a coisificação da mão obra. Nesse sentido, problemas como o trabalho escravo floresce em virtude da supremacia de interesses financeiros, que acabam por ganhar grandes proporções. Logo, a objetificação dos sujeitos proporciona a desumanização e, consequentemente, abre espaço para a manutenção de práticas como a escravidão.
Ademais, é necessário discutir que esse impasse deturpa direitos já conquistados. Sob esse viés, é válido lembrar que a elaboração do artigo quinto da Constituição Federal de 1988 foi baseada no sonho de garantir o direito a vida, liberdade e segurança de todos os brasileiros e estrangeiros residentes no país. No entanto, é notório que o Poder Público não cumpre seu papel enquanto a gente fornecedor desse direito, uma vez que o trabalho escravo configura a violação da integridade física e moral dos indivíduos. Dessa forma, percebe-se que o problema representa não só um irrespeito colossal com os trabalhadores submetidos a essa situação, mas também a maculação da Carta Magna do país.
Isto posto, com a finalidade de fazer valer a Constituição e vencer o pensando de reificação do trabalhador, urge que o Ministério do Trabalho faça debates informativos, por meio das redes sociais e internet. Para tal, é preciso a participação de pessoas que já passaram pela situação do trabalho escravo, com o objetivo gerar comoção do público, para que denuncias sejam feitas ao Poder Público . Ademais, pode ter a participação de sociólogos e historiadores influentes na sociedade, como o professor Leandro Karnal, para explicar os malefícios que a reificação dos sujeitos traz para toda a sociedade. Somente assim, é que a máxima de Hannah Arendt será de fato concretizada no Brasil.