O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 15/09/2020

“A anulação do outro é a gênesis do conflito social”. Essa frase do filósofo Mário Sergio Cortella torna-se muito pertinente quando se trata do trabalho escravo no Brasil contemporâneo, uma vez que não só a ineficiência política, mas também a falta de debate apresentam-se como agentes perpetuadores desse problema no pais. Por isso, medidas são necessárias para reverter este quadro.             Em primeira análise, é fundamental destacar que, para o filósofo Aristóteles, “a política tem como função social promover o convívio harmônico entre as pessoas de uma sociedade”. Além disso, a Constituição Federal de 1988 garante, no Artigo 1, que a dignidade humana é indispensável para todo e qualquer brasileiro. Entretanto, o que se encontra no Brasil, é uma profunda negligência do Governo em relação a este assunto, uma vez que, segundo a Folha de São Paulo, nenhum tipo de programa de combate à escravidão, como campanhas e iniciativas , está em vigor atualmente. Dessa forma, é indispensável que haja meios políticos, para que os direito à dignidade possa estar assegurado.

Ademais, é importante ressaltar que, de acordo com uma pesquisa realizada pela revista “Superinteressante”, 70% dos resgatados da condição de escravo não sabem ler ou escrever, o que dificulta a propagação de informações, e, aproximadamente, 90% destes não conhecem os seus direitos. Certamente, esses dados evidenciam a importância de se possibilitar a distribuição de informações de forma clara e acessível. Além disso, para o escritor e colunista Fabrício Carpinejar, “a exploração é como uma virose assintomática, imperceptível ao explorado, e a vacina é o debate”, o que revela a importância do debate nesse cenário. Dessa maneira, é importante promover a discussão sobre este tema.

Sendo assim, entende-se que é primordial que o Governo brasileiro crie meios políticos para assegurar o direito à dignidade humana, por meio da elaboração de um programa de combate ao trabalho escravo, que tenha como objetivo desmantelar as áreas de exploração e libertar os cativos, para que o papel social da política, como defendido por Aristóteles, possa ser praticado. De maneira análoga, urge que a mídia, em parceria com a Escola, possam promover o debate a cerca desse problema, por meio de campanhas na rádio, na televisão e na internet que levem as informações de forma clara e acessível , bem como com rodas de conversa e debates em âmbito escolar e público para que a anulação do outro, como dito por Mario Sergio Cortella, não seja uma característica do povo brasileiro.