O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 17/09/2020
Na obra pré-modernista “Triste fim de Poliquarpo Quaresma”, do escritor Lima Barreto, o major Quaresma, grande admirador do país, acreditava que, se superados alguns desafios, o Brasil alcançaria o patamar de nação desenvolvida. Hodiernamente, fora da literatura percebe-se que tal horizonte literário não mimetiza a realidade atual, visto que, o tecido social brasileiro ainda enfrenta sérios problemas, dentre eles, a persistência do trabalho escravo no Brasil. Esse âmbito de iniquidade é fruto tanto do desleixo político do Governo Federal quanto do silenciamento pessoal.
Deve-se analisar, precipuamente, que a falta de atuação do Governo Federal é um fator determinante para problemática. Segundo o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, o conhecimento deve estar vinculado aos problemas do presente. Nesse viés, evidencia-se a ausência de políticas públicas suficientemente efetivas para erradicar o trabalho escravo no Brasil. Diante desse diapasão, sabe-se que esse sentido é comprovado, pelo papel passivo que o Ministério do Trabalho exerce na administração do país. Nessa égide, é visível que tal órgão, intitulado para promover a acessibilidade profissional entre todos os indivíduos, ignora ações que poderiam realmente fomentar a exclusão do emprego subordinado. Desse modo, o governo atua como agente perpetuador do trabalho escravo. Logo, é substancial a dissolução desse panorama infringente.
É vital salientar, ainda, em segundo plano, que a resistência do trabalho escravo encontra terreno fértil no silenciamento da população. Acerca dessa assertiva, Habermas faz uma contribuição dizendo que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Sob essa óptica, para que haja a exclusão do emprego forçado em condições precárias, é necessário discutir sobre. No entanto, verifica-se certa lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é muito silenciada, pois a população se mantém passiva e calada diante tal problematização, além do que, conforme o levantamento do Ministério do Trabalho, entre 2003 a 2018, cerca de 45 mil trabalhadores estavam escravizados. Nessa lógica, trazer à parte essa patologia e debatê-la, amplamente, aumentaria a chance de atuação nela.
Portanto, pela perspectiva de Isaac Newton, uma força só é capaz de sair da inércia se outra lhe for aplicada. Em vista disso, depreende-se o Poder Público, como instância máxima da administração executiva, em consonância com o Governo Federal, por meio de ações; leis mais rigorosas, fiscalizações nas regiões do Brasil e propagandas nas mídias sociais televisíveis, trazer o tema em questão, para que, de tal forma, o trabalho escravo possa denunciado pela população, contribuindo, dessa maneira, a erradicação desse transtorno social. Somente, assim, os ideais do major Quaresma poderão ser evidenciados na nação brasileira.