O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 14/09/2020

Voltando ao período da escravidão vivido no Brasil e uma breve análise pode definir claramente a escravidão. A humanidade tem sofrido viagens árduas, em condições desumanas, e não recebeu nenhum retorno, exceto alimentos e moradias de baixa qualidade. Após a Lei Áurea e muitos conflitos, a escravidão foi abolida. No entanto, a definição acima desapareceu do país?

Não raramente, notícias que relatam trabalho escravo surgem na mídia Brasileira. Empresas e indústrias que utilizam a mão-de-obra humana de tal maneira que mais parecem enxergá-la como uma máquina que não necessita de manutenção. A exemplo disso, existem as indústrias que abastecem as chamadas “feiras de sulanca”, que fabricam inúmeras peças e vendem a preços patéticos. Como, em alguns lugares do país, essa é a atividade que movimenta a economia e gera empregos, muitas pessoas se submetem ao trabalho exacerbado, recebendo centavos por peças fabricadas. Ainda sobre o ramo do vestuário, para que não se pense que atividades como essa ocorrem apenas com indústrias mais populares, muitas marcas, ditas de grife, que obtêm lucros exorbitantes, respondem a processos por trabalho escravo.

É bem verdade que esses trabalhadores não estão enclausurados em senzalas, nem vão para o tronco, ou são, perante à lei, posses de seus patrões. Mas, ainda assim, trabalham durante horas em ambientes nada adequados, precisando cumprir metas diárias que vão além do bom senso, e, o pior de tudo, não desfrutam do lucro, recebendo um “salário” que mal paga as mínimas despesas. É fato que a maioria deles está livre para buscar um trabalho melhor, mas que trabalho? É difícil estar bem empregado quando não se tem a experiência ou o grau de escolaridade exigidos. Tal fato muito lembra o período seguinte à abolição, quando os escravos, mesmo alforriados, permaneciam servindo aos senhores porque não conseguiam encontrar outra forma de sobreviver.

Diante de tais argumentos, é indiscutível que o trabalho escravo permanece no Brasil, e, o que é pior, nem sempre de maneira implícita. Para reverter o quadro, medidas vindas não só do Estado, mas de toda a população devem ser tomadas. Gerar selos certificados para as indústrias que não compactuam da prática e benefícios para as pessoas que compram destas indústrias pode ser uma maneira eficaz de inibir o trabalho escravo, uma vez que o selo se tornaria sinônimo de boas vendas. Ações deste porte não só atuam diretamente no problema mas tornam clara a importância de combate-lo de forma conjunta.