O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 09/09/2020

A escravidão no Brasil remete desde os tempos coloniais e tinha uma forte relação com a prática mercantilista dos estados português, espanhol e inglês. Por esse ângulo, essa forma de trabalho compulsória se diferenciava da escravidão de outros povos, por não ter bases culturais, mas sim econômicas. No que tange ao trabalho escravo no Brasil contemporâneo, o interesse é também fundamentalmente econômico, porém, é ilegal e está diretamente ligado às regiões onde ocorre grilagem de terras. Além disso, um fator que o agrava é a forte disparidade econômica do país, o que submetem muitos indivíduos à trabalhos compulsórios para conseguirem sobreviver.

A grilagem de terras está atrelada ao descontrole de terras invadidas e ilegalmente apropriadas para interesses agropecuários. Nesse sentido, Patrícia Audi, coordenadora do Projeto Nacional do Combate ao Trabalho Escravo da Organização Internacional do Trabalho (OIT), afirma que em 60% dos locais onde ocorre a prática da grilagem encontram-se pessoas em situação análoga à escravidão. Dessa forma, o descontrole do Estado em áreas historicamente negligenciadas- principalmente na Amazônia e parte do Centro Sul- influencia diretamente nesse problema

Ademais, o país vive uma grande crise política e fiscal, impedindo um fortalecimento  e fluidez comercial,e , consequentemente, muitos brasileiros se encontram em situação de desamparo financeiro e se submetem, inclusive, ao trabalho escravo como forma de sobrevivência. No entanto, o filósofo Bertrand Russell, colabora para um outro olhar sobre essa situação ao afirmar que a mentalidade sobre o trabalho é ainda baseado em questões morais antigas. Com isso, o pensador explana que há atribuições de virtudes em certos trabalhos e os remuneram por isso, o que é incoerente, visto que, a falta de emprego não implica em falta de virtude e não deve ser punida com a opressão de um trabalho mal remunerado ou não remunerado. Dessa forma, o trabalho escravo é um retrato de questões culturais que se manifestam bastante em tempos de crise, no qual muitos são oprimidos pela seu desespero e desamparo financeiro.

Dado o exposto, é essencial uma atuação do Governo Federal, com o Ministério do Trabalho e Ministério da Defesa, viabilizar a implantação de um controle físico e tecnológico em regiões de atuação da grilagem e emprego das vítimas dessa forma de trabalho. Destarte, o Governo deverá colocar as forças armadas para controlar locais de atuação dos grileiros e monitorar essas regiões com drones e helicópteros. Com isso, será facilitado o combate ao trabalho escravo nessas regiões e o Estado deverá se incumbir de fornecer empregos à essas vítimas, uma vez que, a negligencia do Estado que favoreceu essa prática. Só assim, os traços mercantis do trabalho no Século XXI serão suprimidos.