O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 06/09/2020
O filme “12 Anos De Escravidão”, baseado em fatos reais e dirigido por Steve McQueen, narra a vida de Solomon Northup, um homem negro que foi convencido a aceitar um emprego em outra cidade sob a promessa de receber um bom salário. Entretanto, o que sucedeu sua mudança foi muito diferente do que lhe fora prometido, pois Northup foi escravizado. Embora seja uma obra norte-americana e cujo o contexto é ambientado no século XIX, o filme apresenta características que se assemelham ao atual contexto brasileiro, pois, assim como na produção cinematográfica, as pessoas que detém os bens de produção e objetivam somente o lucro submetem indivíduos marginalizados à situações degradantes.
Primeiramente, é importante salientar que a permanência da escravidão na atualidade se deve a um processo histórico que teve início na antiguidade e perdura até hoje de forma clandestina para atender aos interesses de um grupo minoritário, cujo o objetivo é ampliar suas posses econômicas. Segundo o filósofo Immanuel Kant, a pessoa é um fim em si mesma, e não um meio de conseguir atingir objetivos particulares. Nesse sentido, continua-se rompendo com tal lógica humanista ao verificar-se que, ainda hoje, detentores do meio de produção se apropriam de outro ser humano e os submetem à situações que rompem com o direito dignidade humana assegurado pelo Artigo 5 da Constituição de 1988.
Ademais, outro fato a destacar são as circunstâncias que levam trabalhadores a optarem pela informalidade e abdicarem de seus direitos. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 30% da população brasileira não concluiu o ensino fundamental, sob esse cenário, em uma sociedade que exige cada vez mais a especialização da mão de obra, mas que apresenta uma grande deficiência no processo socioeducativo, e que está sob a óptica um sistema econômico que pretere o ser humano em relação ao dinheiro, não existe alternativa aos indivíduos pertencentes às classes mais baixas além de saírem da escola para contribuir para o sustento da família e aceitarem a exploração impostas a eles pelos patrões.
A fim de combater essa problemática , é mister que o Estado tome providências. Para isso, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) e o Ministério da Economia devem criar, por meio de verbas governamentais, um programa estudantil com a finalidade de garantir que jovens pertencentes à classe C, D e E continuem frequentando a escola regularmente. Esse programa consistirá em um auxílio financeiro mensal, que será concedido mediante a uma declaração escolar e confirmação de baixa renda do jovem e renovado a cada semestre para comprovar que o aluno continua vinculado a uma instituição de ensino. Somente assim será possível evitar que a história de Northup continue a se repetir.