O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 09/09/2020

A carta enviada por Pero Vaz de Caminha descrevia o Brasil, como rico e de grande perspectiva. Hoje, o cenário do trabalho análogo ao do escravo não oferta tanta riqueza devido à inação e despreparo governamental para lidar com as desigualdades sociais, somado a falta de oportunidades.

A priori, é salientado que o sociólogo Émille Durkheim afirma que o poder público se responsabiliza pelo gerenciamento das questões que envolvam a coletividade estabelecendo, por conseguinte, o bem-estar social. Entretanto, a perspectiva adotada pelo estudioso manteve-se no plano teórico, em virtude do descaso governamental em viabilizar investimentos, aptos a promoverem melhorias na desigualdade social e de renda. Diante disso, a precária distribuição de oportunidades, como empregos, educação e renda, acarreta como consequência a desigual ascensão social dos cidadãos em que certos indivíduos mandam em outros, com situações de violência várias vezes, pois tiveram mais benefícios ao decorrer da vida que permitiram se sentir, socialmente, “superior” à outros, evidenciando a origem para o trabalho análogo ao escravismo, mesmo após a abolição pela lei áurea em 1888.

Ademais, é perceptível que o preconceito com quem é de baixa renda e menos favorecido existe desde outras épocas. Dessa forma, pode-se perceber que ele é transmitido por gerações, o que evidencia a banalização do assunto. Assim, Hannah Arendt, na teoria “banalidade do mal”, defende que o comportamento xenófobo passa a ser realizado inconscientemente quando os indivíduos normalizam tal situação, comparando isso com a questão da discriminação das pessoas que não podem ascender na sociedade brasileira, porque carecem de formas para adquirir direitos básicos, como a educação, gerando a desigualdade que não evolui o país, mas o faz regredir quanto a qualidade de vida.

Por fim, caminhos devem ser elucidados para resolver esse impasse. Sendo assim, cabe ao Governo Federal elaborar um plano nacional de incentivo à prática de evitar o trabalho análogo ao do escravo, de modo a instituir ações como criar uma campanha de denúncia de explorações laborais, com o “slogan” “denuncie e evite a exploração”, para que incentive a população a fiscalizar e ajudar o corpo político quanto ao combate de preconceitos sociais. Isso pode ser feito por meio de uma associação entre empresas de software e entidades federais que realizem a criação de um aplicativo para que as pessoas possam facilmente denunciar práticas de violência e exploração entre relações de empregador e empregado, mediados por fiscalizadores online prontos para receber reclamações, juntamente com a polícia federal que agirá em momentos extremos. Dessa Forma, será evitado que tratamento desiguais de renda, por exemplo, resultem em atividades exploratórias. Assim, o Brasil voltará a ser rico, como disse Pero Vaz.