O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 05/09/2020
Historicamente, o período colonial no Brasil foi marcado pela monocultura de exportação, plantation e trabalho escravo. Nesse ínterim, o término da escravidão, ao contrário do senso comum, efetivou-se somente graças as pressões externas de outros países e não pela bondade do homem branco. Desse modo, o trabalho escravo na contemporaneidade é reflexo da estrutura desumana do governo que busca o lucro acima de tudo.
A princípio, a mudança estrutural no capitalismo -mercantil para industrial- ocorrida após a Revolução Industrial em 1950, somado as independências dos países da América, fez com que os países europeus necessitassem de mercado consumidor para os novos produtos. Assim, os países que ainda utilizassem da mão de obra escrava foram pressionados para finalizar esse processo. No Brasil, a Lei Áurea de 1888 que instituiu a Abolição da escravidão só foi assinada pela princesa Isabel devido à pressão da Inglaterra.
Nesse sentido, os recém libertos foram marginalizados e proibidos de comprar terras a fim de evitar a ascensão social, o que foi responsável por manter a estrutura de escravidão para com comerciantes e donos de fazendas. Além disso, durante 1889 até 1914 a teoria Darwinista, isto é, a ideia de que uma população é mais evoluída, culturalmente e intelectualmente, quanto mais branca fortaleceu o embranquecimento social no Brasil. O intuito disso era de diminuir a população de negros com a abertura dos portos e o início da miscigenação, ocorrida com a imigração de trabalhadores de diversas partes da Europa, América e Ásia, no início do século 20, que foram usados como mão de obra, em detrimento da miséria e distanciamento dos negros.
Finalmente, é imperioso que o Governo Federal modifique as leis existentes ao tratar-se de casos de escravidão no Brasil contemporâneo a fim de aplicar penas mais severas para corrigi-las, com a obrigatoriedade de prisão e após o cumprimento da pena a inserção do réu em programas de trabalho comunitário a centros de ressocialização e auxílio à periferias. Ademais, torna-se necessário que o Ministério da Educação institua nos horários das escolas, desde o ensino fundamental ao médio, uma nova grade escolar com história africana, tornando essa recorrente nos principais vestibulares, pois os indivíduos irão aprender corretamente as origens do país e perceber que todos os indivíduos são resultado da miscigenação, não existindo uma raça superior a outra. Somente assim, a continuidade do trabalho escravo na contemporaneidade, que ocorre graças a toda uma estrutura histórica de dominação que perpetua o racismo e a desigualdade social, será finalizada tornando efetiva a afirmação: “Brasil, um país de todos”.