O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 04/09/2020

A Revolução Industrial foi marcada pela excedente produção e também pelas transformações nas relações de trabalho. Desde então, a lógica capitalista é aumentar o poder de consumo da população proporcionalmente à produção e prestação de serviços.Por certo, é inegável que o Brasil avançou em termos de criação de leis trabalhistas. No entanto, frente às exigências do mercado e consequentemente ao desemprego, os trabalhadores submetem-se ao trabalho informal com jornadas absurdas por salários precários e sem garantia de direitos.

Em primeiro lugar, o mercado de trabalho tornou-se mais exigente, buscando trabalhadores mais qualificados, e aqueles que não se adequam às exigências são obrigados a aceitar empregos com menor remuneração ou buscar outras formas informais para complementar a renda. Entretanto, se por um lado a falta de qualificação é prejudicial, o excesso dela também é, uma vez que as empresas não estão dispostas a pagar por esse profissional. Frente a isso, o trabalhador passou a abdicar de seus direitos mais básicos, como férias e jornadas de trabalho de 8 horas, submetendo-se à condições exploratórias.

Sob esse viés, no início do ano de 2020, viralizou-se na internet e jornais a imagem de um entregador de comida atravessando uma rua com água e lama até os joelhos, trabalhando sob as fortes chuvas que assolaram a cidade de Belo Horizonte, essa seria a ilustração ideal para a condição humana no mundo do trabalho exploratório e precarizado. Diante disso, é importante ressaltar quem são essas pessoas, a maioria é do sexo masculino, vindas da periferia e negras. Para justificar essa situação , devemos contextualizar historicamente a posição do negro na época da escravidão, em que executavam tarefas pesadas por longos períodos, recebiam alimentação inadequada e ainda eram castigados fisicamente. Portanto, fica claro que a liberdade conquista pelos escravos não se traduziu em total inclusão social, visto que a maioria dos trabalhadores explorados são negros.

Torna-se evidente, que apesar dos avanços nas leis trabalhistas muitos trabalhadores continuam sendo explorados. Diante disso, faz-se necessária a intervenção civil e estatal. Ao Poder Judiciário cabe fazer valer as leis já existentes e reforçar investigações de explorações. A mídia deve abordar a questão instigando denúncias e também divulgando vagas de emprego, cumprindo com seu importante papel social. Em relação aos indivíduos, esses devem reivindicar melhorias nas leis que tange os trabalhadores informais por meio de manifestações e petições. Ademais, um antigo ditado popular afirma que o trabalho dignifica o homem, mas vale ressaltar que os direitos são imprescindíveis para a dignidade dos indivíduos.