O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 04/09/2020
Durante a Revolução Industrial, no século XIX, os trabalhadores das fábricas obtinham o seu sustento em condições insalubres, pois não tinham os seus direitos previstos. Hodiernamente, a Constituição brasileira garante os direitos trabalhistas para promover o trabalho digno. Entretanto, em virtude da vulnerabilidade econômica de uma parcela da população, o trabalho escravo no Brasil continua a se perpetuar. Dessa maneira, é imperiosa a análise de como as desigualdades sociais e a falta de meios efetivos de combate a essa prática influenciam na problemática em questão.
A priori, é inegável que o desemprego é uma das causas principais para a instabilidade econômica no país, a qual amplia as desigualdades sociais. Consonante com Karl Marx, o trabalho humaniza, ou seja, na sociedade moderna, tornou-se um laço inseparável das relações e estruturas sociais. Em virtude disso, a ausência de empregos implica na desumanização para aqueles que estão desempregados, pois, sem perspectivas profissionais, eles são facilmente ludibriados com vagas de empregos irregulares. Logo, cria-se o ciclo do trabalho escravo, visto que o sujeito não vê mudanças na situação econômica aliada às estruturas de um sistema desigual.
Outrossim, a ausência de fiscalizações efetivas deixa crimes impunes e corrobora para a manutenção de uma cultura exploratória. Com isso, a exploração trabalhista se mantém, uma vez que os indivíduos nessa situação dependem de uma ação governamental, porque sofrem ameaças e correm risco de morte. Porquanto, encontram-se inviabilizados de denunciar os casos na justiça, os quais podem acontecer nos centros urbanos ou nas áreas rurais. Desse modo, esses trabalhadores têm a sua cidadania mutilada, conforme Milton Santos, já que se deparam impossibilitados de buscar seus direitos, que lhe são negados por ineficiência das fiscalizações.
Infere-se, portanto, a necessidade de quebrar o ciclo do trabalho escravo no Brasil. Em razão disso, o Governo deve aprimorar os meios fiscalizatórios através do uso de tecnologias digitais. Isso pode ser feito com a ampliação de canais de denúncias por redes socais, telefones, e-mail etc. Além de promover maiores números de operações em zonais rurais e urbanas, utilizando, por exemplo, drones para fiscalizar áreas mais remotas. Dessa maneira, espera-se extinguir a escravidão no país e efetivar os direitos garantidos constitucionalmente.