O trabalho escravo no Brasil contemporâneo

Enviada em 03/09/2020

Jean Paul Sartre, pensador francês, declarou que todo homem está condenado à liberdade. Todavia, mesmo, com o fim do sistema escravocrata, no século XIX, a sociedade, na contemporaneidade, possui vínculos empregatícios que vivificam um sistema parecido com a escravidão. Desse modo, ao analisar tal contexto, observa-se, no tecido social, não só um sistema de educação que não consegue vencer a desigualdade, como também a não efetivação das garantias constitucionais.

A princípio, o professor Paulo Freire defendia uma pedagogia libertadora, a qual está relacionada com a compreensão do mundo que cerca o indivíduo e, consequentemente, ocasionar, por meio do ensino mútuo entre professores e alunos, uma educação crítica a serviço da transformação social. No entanto,  existem trabalhadores, na hodiernidade, submetidos a severas jornadas de trabalho que evidenciam um sistema análogo à escravidão, tal situação evidencia uma sociedade que não dialoga com as ideias de Freire. Ao passo que observa-se a prevalência de um sistema educacional que não consegue dirimir o analfabetismo e, por conseguinte, atenuar a pobreza que, nesse contexto, fomenta subempregos que cerceiam a liberdade de muitos. Dessa maneira, verifica-se que o trabalho escravo reflete uma educação ineficiente, pois, não consegue vencer a desigualdade no Brasil.

Outrossim, a partir da interpretação da Constituição Federal, nota-se que é dever do Estado garantir um ambiente equilibrado a todos os cidadãos. Entretanto, a realidade expõe uma contrariedade. Esse paradoxo expressa-se, na verdade, à medida que a carência de políticas públicas, com o fito de inserir o homem desempregado no mercado, contribui para que tais indivíduos tornem-se alvos de subempregos em condições precárias. Nessa perspectiva, os fatos expostos ecoam o Enigma da Modernidade, do filósofo Henrique de Lima, o qual explicita que, apesar de a sociedade ser avançada em suas razões teóricas, é, por sua vez, primitiva em suas razões éticas. À vista disso, nota-se que a dissonância entre a Carta Magna e a narrativa factual é um emblema que precisa ser solucionada.

Logo, é fundamental que o Ministério da Educação demonstre para o Poder Executivo a importância da pedagogia libertadora, como forma de vencer as mazelas sociais, com o intuito de que tal esfera do poder venha a realizar uma reforma educacional, a qual contribuirá para reduzir a desigualdade. Ademais, é imprescindível que o Terceiro Setor, aliado à mídia, desenvolva campanhas publicitárias, por intermédio de depoimentos de cientistas sociais, que expliquem o dever do Estado no tocante à inserção do desempregado no mercado, a fim de que haja efetivação dos dispositivos constitucionais. Dessa forma, resolver-se-ão os emblemas associados ao trabalho escravo na contemporaneidade e, por fim, ocasionar-se-á a efetivação da liberdade plena, com bem pensou Sartre.