O trabalho escravo no Brasil contemporâneo
Enviada em 03/09/2020
A Lei Áurea, assinada em 1888, às fases finais do Império, decretava como crime a escravidão no Brasil. Porém, mesmo após 132 anos de sua proibição, a escravidão permanece presente na atual sociedade, e assim como antes de sua abolição, com maior presença nas áreas rurais brasileiras, isso devido à, principalmente, baixa fiscalização e a inocência das comunidades nessas regiões.
Primeiramente, deve-se compreender como a ausência de conhecimento das populações rurais favorece os escravistas. Segundo o poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade, a educação é capaz de evitar o sofrimento, em relação a casos que não o merecem. Dessa forma, devido a não consciência de comunidades rurais a respeito do trabalho escravo presente em sua região, membros desses grupos se tornam vulneráveis a serem enganados por escravistas, que oferecem empregos remunerados, porém com intensa cobrança de dívidas, tornando trabalhadores inocentes em escravos por dívida, dando continuidade ao sofrimento nas lavouras.
Outrossim, a pouca ação do Estado brasileiro frente a essa questão contribui no aumento da frequência de casos de escravidão. O ex-presidente Getúlio Vargas afirmava que o governo não deve interferir na “ordem divina” do campo. Assim, essa postura não é diferente dos governos posteriores a essa época, já que o Estado não providencia fiscalizações suficientes no campo, ao ponto de abolir praticas escravistas nessa área, demonstrando uma incapacidade em cumprir sua principal função social, garantir o bem-estar geral.
Infere-se, portanto, que a ainda presente escravidão no campo fere a liberdade e dignidade da população. Logo, o povo brasileiro que não se encontra nessa situação, deve exigir do Governo Federal a criação de uma secretaria ligada ao Ministério da Cidadania, que deverá ser responsável em fiscalizar as áreas de maior presença de trabalho escravo, que serão determinadas por pesquisas sociais e denúncias populares, a fim de identificar com a maior eficiência possível fazendas escravistas e punir devidamente seus proprietários. Além disso, a mesma secretaria será responsável em orientar as populações rurais sobre os riscos em aceitar trabalhos sem as devidas precauções, a fim de dificultar a ação de escravocratas. Só assim será possível reduzir os casos de escravidão no Brasil, limitando-os aos livros de história.