O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 30/10/2019
Na obra “Utopia” do escrito inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se na ausência de conflitos e problemas. Contudo, o que se observa na realidade contemporânea atual é antagônico ao que o autor prega, uma vez que o reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil dificulta a concretização dos planos de More. Esse cenário contraditório é fruto tanto das politicas antivacinas, quanto do aumento do número de refugiados sem vacinas no país. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos.
Primordialmente, é fulcral pontuar que o retorno das doenças erradicadas no país derivam do movimento antivacina. Segundo a Teoria do Habitus elaborada pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu, a sociedade possui padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidos pelos indivíduos. Nesse viés, informações impostas sobre os malefícios da vacina, que derivam principalmente da disseminação das Fake News, manipulam a conduta de diversas famílias no Brasil e são reproduzidas por gerações, o que culmina na diminuição da porcentagem de vacinados. Posto isto, de acordo com o Ministério da Saúde, em 2017, o índice de vacinação no país atingiu o menor nível dos últimos 16 anos. Por conseguinte, doenças erradicadas, como o sarampo, retornaram há sociedade hodierna.
Outrossim, é imperativo ressaltar que a questão dos refugiados somada ao desleixo dos governantes é causa determinante do imbróglio. Tendo em vista as guerras e os graves desastres ambientais da contemporaneidade, o número de pessoas que deixam seus países elevou-se. Sob esse aspecto, a negligência governamental no que tange às ações, nas fronteiras, relacionadas à saúde permite que asilados doentes e sem as vacinações em dia entrem nos países. Desse modo, tal categoria de imigrantes transforma-se em verdadeira transportadora de doenças erradicadas. Segundo o secretário de Saúde de Roraima, Marcelo Rodrigues Batista, o Brasil não exige um comprovativo de vacinação aos estrangeiros que atravessam as fronteiras e isso tem criado novos riscos epidemiológicos
Em suma, urge, pressurosamente que o Ministério da Saúde, setor governamental responsável pela administração e manutenção da Saúde pública do país, introduza campanhas midiáticas, através de redes televisivas e jornais, para alertar os indivíduos sobre a importância de manter a imunização em dia, conscientizando todas as camadas da sociedade e evitando taxas de vacinação abaixo da meta esperada. Ademais, é indispensável a fiscalização nas fronteiras, para que os refugiados doentes e com as vacinas atrasadas sejam encaminhados para tratamentos gratuitos. Dessa forma, o povo brasileiro estará menos suscetível às doenças e a Utopia de More será alcançada.