O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 28/10/2019
No século XV, os europeus chegaram na América, trazendo não apenas destruição bélica, mas também uma enorme gama de doenças, as quais vitimaram os indígenas, uma vez que esses não possuíam imunização contra tais males. Cerca de cinco séculos depois, o Brasil enfrenta um cenário calamitoso na saúde pública, sobretudo devido ao reaparecimento de doenças erradicadas, fazendo-se, assim, fundamental a análise dos motivos e das consequências acerca de tal ressurgimento.
A priori, faz-se necessário discorrer sobre a negligência do Estado em relação as campanhas de vacinação. Segundo o Datafolha, entre 2014 e 2018, houve uma queda de 25% da vacinação contra a tríplice viral. Dessa forma, é notável que o Poder Público se configura como uma das instituições zumbis preconizadas por Zygmunt Bauman, pois perde suas funções sociais à medida que não realiza publicidades em favor as vacinas. Assim, favorece-se um cenário propício ao desenvolvimento de epidemias, como a de sarampo, ocorrida em 2019.
A posteriori, a destruição da cobertura vegetal próxima às cidades colabora para a diminuição do habitat natural de vetores de doenças, como o caso do mosquito Anopheles sp., dispersor da febre amarela. Somado a isso, consoante o IBGE, 44% das casas brasileiras não possuem saneamento básico, assim como 72% das casas com renda menor que 1,5 salário mínimo por não possuem tratamento de esgoto. Dessa forma, ocorre uma invasão de doenças às cidades, principalmente em regiões mais carentes, as quais carecem ainda mais de condições básicas, tornando, assim, o problema de doenças não apenas um transtorno de saúde, mas também social.
Destarte, o Ministério da Saúde deve veicular propagandas na mídia acerca da importância da vacinação, a fim de aumentar o número de indivíduos vacinados, assim como diminuir o número de doenças renascentes. Além disso, outra medida paliativa cabe ao Ministério das Cidades, o qual deve viabilizar verbas para aumentar o número de habitações com saneamento básico, visando diminuir o número de habitats convenientes aos vetores de doenças. Com o mesmo intuito, cabe ao IBAMA realizar uma campanha, a qual deve distribuir mudas de árvores e gramíneas gratuitamente, para aumentar as áreas de superfície verde nas cidades.