O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 23/10/2019
A série brasileira: “O Escolhido”, retrata o drama de médicos do governo em fazer uma campanha de vacinação em uma cidade isolada localizada no Pantanal, na qual a população defende que a medicina é ineficaz e a vacinação pode levar à morte. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada pela série é presente no Brasil, o individualismo e a difusão de notícias falsas geram o aumento de grupos de antivacina e a ineficácia de campanhas de imunização, o que tem como consequência o reaparecimento de doenças erradicadas. Por isso, torna-se necessário o debate acerca dessa problemática.
Em primeiro lugar, o aumento de movimentos de antivacina propagam os casos de pessoas que acreditam que a imunização é ineficiente por não terem mais contato com a doença erradicada. O principal argumento dos que defendem a não imunização surgiu de uma pesquisa fraudulenta em 1988, realizada pelo médico britânico Andrew Wakefield, ele afirmava que a vacina triplex - rubéola, caxumba e sarampo- desencadearia o autismo. Por mais que a pesquisa tenha sido comprovada uma fraude, os movimentos usam esse estudo como justificativa de processos de imunização atraírem outras doenças. Devido a isso, a eficácia de campanhas entram em declínio e a volta de epidemias assusta o Ministério da Saúde, que confirmou cerca de 110 mil mortes por sarampo, em 2017. Tal situação torna evidente a importância de ações estatais que garantam a eficácia da lei que afirma que vacinação é uma obrigação social e questão de saúde pública.
Ademais, é válido ressaltar, ainda, o problema que causa a difusão de notícias falsas. A sensação de segurança das famílias devido as notícias sem fontes confiáveis dificultam a busca dos pais na imunização dos filhos. Como exemplo, o site do G1 publicou várias fake news em 2018 que tinham sido espalhadas nas redes sociais, umas dela foi a afirmação que não existia surto de febre amarela no Brasil. Tais ações levou o Governo Federal a iniciar uma campanha digital para combater boatos sobre as vacinações, pois a expansão de notícias falsas gera uma ameaça à saúde do Brasil.
Infere-se, portanto, que as decisões individuais e a divulgação de notícias equivocadas influencia diretamente no surto de doenças que eram consideradas erradicadas. Em vista disso, cabe ao Governo em parceria com o Ministério da Saúde incluir nas campanhas de vacinação informações verídicas que contrariem as fake news, a fim de garantir que a informação e o alerta chegue ate a população. Além disso, deve haver uma abordagem sobre a importância da imunização realizada pelas Escolas que atinjam tanto os pais, como os filhos com a intenção de refutar argumentos dos grupos antivacina, para que assim a proxima geração cresça conscientizada. Só assim, esse problema sera mitigado.