O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 24/10/2019

Na Revolta da Vacina, ocorrida em 1904 no Rio de Janeiro, era comum o uso da força bruta para imunizar a população que, movida pela desinformação e opressão, passou a propagar informações falsas acerca das substâncias que injetavam nas pessoas. Já na atualidade, embora tenham se passado 100 anos dessa revolta, os mitos a respeito da vacinação perduram e, devido a isso, há o reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil. Assim, cabe avaliar a problemática, que tem como causas o movimento antivacina, e a baixa cobertura vacinal.

Sob análise primária, é notório que a propagação de “fake news”, com o advento das redes sociais, acontece de modo exponencial, atuando como princípio ativo do movimento antivacina. Nesse sentido, pela falta de credibilidade e confiança dada ao governo pela população, muitos indivíduos enxergam as notícias como reais e, dessa maneira, aderem ao grupo. Entretanto, essas ideias errôneas, como a vacina causar autismo, estão prejudicando em escala nacional a saúde pública, em virtude da alta taxa de imigração de pessoas ao Brasil trazendo diversas doenças consigo e, por consequência, as passando para os não imunizados. Devido a isso, no início de 2019 foi anunciado pelo Ministério da Saúde a perda do certificado de erradicação do sarampo e, foi dito que no futuro, poderá ser perdido o da poliomielite. Nessa perspectiva, é notório que a situação se agravará caso não houver mudança no comportamento da população.

Ademais, o fato de campanhas de vacinação, e as próprias vacinas, não atingirem todo o Brasil permeiam o problema. No governo neoliberal do ex-presidente Michel Temer, houve a aprovação do congelamento de investimentos no setor da saúde por 20 anos. Dessa maneira, é notório que a produção, as campanhas ,e o transporte dessas vacinas foram afetados a longo prazo. Entretanto, as regiões mais afastadas do centro-sul do país são as que sofrem maior defasagem, fato comprovado pela coordenadora de imunização do Ceará, que, segundo o site G1, disse: “Não há vacinas para todos nos postos de saúde”. Diante disso, é visível a situação caótica e desigual em que o Brasil se encontra,

Destarte, faz-se mister medidas para controlar o reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil. Assim, cabe ao Ministério da Saúde, por meio de maiores investimentos públicos no setor que abrange a vacinação, criar campanhas de imunização que possuam palestras desmistificando os medos que a população possui sobre as vacinas, e informar os reais efeitos dessas, como a impossibilidade de se contrair as doenças que essas são direcionadas. Tudo isso, com o intuito de que se construa um país cauteloso com a saúde, e para que se tenha uma população detentora de conhecimentos sobre a imunização, evitando que ocorra uma nova Revolta da Vacina.