O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 24/10/2019
Em meados do século passado, o escritor austríaco, Stefan Zweig, encantado com o Brasil, escreveu um livro cujo título é até hoje repetido Brasil, país do futuro. Ao analisar o reaparecimento de doenças erradicadas na sociedade brasileira contemporânea, percebe-se, entretanto, que a profecia de Zweig não saiu do papel. Nesse contexto, dois fatores contribuem para o aumento do impasse: a disseminação de ´´fake news´´ por parte de movimentos antivacinas, e o enfraquecimento de políticas públicas de saúde referentes a imunização de doenças.
Antes de tudo é válido ressaltar que a propagação de notícias falsas por grupos antivacinas evidencia-se como um dos principais fatores para o reaparecimento de doenças que haviam sido controladas no núcleo social brasileiro. Com isso, muitos indivíduos por não obterem informações necessárias a respeito das doenças e de como se protegerem, acabam acreditando nas diversas ´´fake news´´ espalhadas em redes sociais como Facebook e Instagram. Desse modo, os movimentos contrários a vacinação desconsideram a importância das vacinas e faz a população acreditar que ao invés de benefícios, a imunização causará doenças. Nesse viés, a Revolta da Vacina, é prova de que a falta de conhecimento da população é um coadjuvante forte, o qual colabora para dificultar a erradicação do entrave.
Somando a isso, é notório que o enfraquecimento de campanhas vacinais contra doenças que haviam sido erradicadas no Brasil é um dos contribuintes para a retornança de enfermidades como o sarampo. Nesse sentido, diferente do que foi promulgado pela Constituição Federal de 1988, a qual assegura o direito à saúde a todo cidadão, o atual cenário canarinho apresenta um processo retrógrado e inerte no que tange a imunização de doenças. Diante disso, é notório que o Estado está negligenciando um grave problema, o qual poderá trazer consequências desastrosas em curto prazo se não houver o fortalecimento de políticas públicas de saúde voltadas a imunização de substancial parcela da sociedade, especialmente, crianças na primeira fase da vida.
Diante do exposto, urge, portanto, que o Congresso Nacional mediante uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias, disponibilize mais recursos ao Ministério da Saúde o qual formulará palestras em escolas e nas mídias em geral - ministradas por médicos e enfermeiros -com o fito de orientar a população sobre a volta de doenças no âmbito social, a importância da imunização, como também os riscos de se acreditar em inverdades propagadas por grupos antivacinas. Paralelamente, é mister que haja o fortalecimento de campanhas vacinais e a promoção de mutirões de vacinação em todas as cidades do país. Feito isso, o Brasil poder-se-á ser um país de futuro como idealizou Zweig.
Á margem de futuro, como idealizou Zweig.